Na noite desta quinta-feira (16), o Clube Espanhol, em Salvador, foi palco de uma audiência pública que reuniu moradores, vereadores e representantes de órgãos de fiscalização para debater os impactos do Circuito Dodô (Barra-Ondina) na rotina do bairro. O evento, proposto pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), buscou abordar o que muitos participantes consideram uma “crise de convivência” entre a festividade do Carnaval e o direito dos moradores ao sossego.
Durante o encontro, a Associação de Moradores e Amigos da Barra (Amabarra) expressou preocupações referentes ao formato atual da festa. O presidente da entidade, Waltson Campos, fez críticas ao crescimento desordenado do evento e à priorização dos interesses econômicos em detrimento da qualidade de vida dos residentes. Ele enfatizou que o problema não reside no Carnaval em si, mas na magnitude que a festividade alcançou na região.
Os moradores apresentaram diversas queixas, entre as quais se destacaram o excesso de público, a poluição sonora e as dificuldades na mobilidade urbana. Além disso, relatos sobre a ocupação de espaços públicos por estruturas privadas e camarotes foram comuns, assim como os danos ambientais e a precariedade dos serviços durante o período festivo.
A vereadora Aladilce Souza ressaltou que a característica residencial da Barra, que abriga uma população idosa significativa, intensifica os efeitos negativos da festa. Ela observou que os eventos se prolongam por longos períodos e incluem o uso de palcos fixos, aumentando ainda mais o incômodo para os residentes.
Representantes de órgãos municipais e da Polícia Militar também marcaram presença na audiência, que contou com a supervisão do Ministério Público. A participação dessas instituições foi fundamental para garantir que as preocupações dos moradores fossem ouvidas e devidamente registradas.
Ao final da audiência, ficou acordado que todas as demandas apresentadas seriam sistematizadas, com o objetivo de embasar propostas que visem ao ordenamento urbano, ao controle da poluição sonora e à melhoria da mobilidade durante os eventos realizados no circuito. A expectativa é que essas medidas ajudem a mitigar os impactos negativos da festividade e promovam uma convivência mais harmoniosa entre os foliões e os moradores da região.

