O mês de março, especialmente marcado pelo Dia Internacional da Mulher, é um período que convida à reflexão, à mobilização e ao reconhecimento das conquistas históricas das mulheres. Para a vereadora Ireuda Silva, do Republicanos e atual presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, é essencial equilibrar celebração e responsabilidade diante dos desafios que ainda impactam a realidade feminina no Brasil.
“Não podemos abordar março sem lembrar que o Brasil enfrenta índices alarmantes de violência contra a mulher. O feminicídio permanece como uma dura realidade, e as mulheres negras são as maiores vítimas dessa tragédia. Isso evidencia o peso do machismo e do racismo estrutural em nossa sociedade”, destaca Ireuda Silva.
Dados de pesquisas nacionais recentes apontam que o país registra mais de 1.400 casos de feminicídio a cada ano, o que representa uma média de quase quatro mulheres assassinadas diariamente, simplesmente por serem mulheres. A desigualdade se manifesta também no mercado de trabalho, onde as mulheres ainda recebem salários inferiores aos dos homens em funções equivalentes, além de enfrentarem jornadas duplas ou triplas, conciliando o trabalho formal com as responsabilidades domésticas.
Apesar desse cenário adverso, Ireuda enfatiza que março é também um momento para reconhecer avanços significativos. “As mulheres têm ocupado espaços antes impensáveis. Atualmente, observamos um aumento da presença feminina na política, na segurança pública, nas Forças Armadas, na ciência e na liderança empresarial. Cada conquista é fruto de décadas de luta”, afirma.
Nesse contexto, a vereadora menciona como exemplo a recente indicação da coronel-médica pernambucana Claudia Lima Gusmão Cacho ao cargo de general-de-brigada do Exército Brasileiro, o que a torna a primeira mulher a atingir o generalato na instituição. A confirmação de sua promoção depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Esse é um avanço simbólico importante. Demonstra que as barreiras estão sendo superadas, mesmo que de forma gradual”, observa Ireuda Silva.
Ela lembra que a presença feminina nas Forças Armadas tem crescido nos últimos anos, embora ainda não existam mulheres ocupando o posto máximo de quatro estrelas nas três forças armadas.
Ireuda Silva reforça que, no âmbito municipal, tem se dedicado a fortalecer políticas públicas de combate à violência doméstica, ampliar a qualificação profissional das mulheres e promover ações para enfrentar a desigualdade racial e de gênero. “Março é um mês de luta, mas também de esperança. Precisamos continuar denunciando a violência e exigindo igualdade salarial e representatividade, mas, ao mesmo tempo, celebrar cada vitória. O protagonismo feminino deixou de ser exceção e se tornou uma realidade. E veio para ficar”, conclui a vereadora.

