Ultrassom: A Nova Tecnologia para Combater os Vírus da Influenza A e COVID-19 sem Atingir Células Humanas

Por Redação
4 Min

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que ondas de ultrassom de alta frequência, semelhantes às utilizadas em exames médicos, podem eliminar vírus como o SARS-CoV-2 e o H1N1 sem causar danos às células humanas. O estudo, publicado na Scientific Reports, detalha como a ressonância acústica provoca alterações estruturais nas partículas virais, levando à sua ruptura e inativação.

Mecanismo de Ação do Ultrassom

Os pesquisadores comparam o efeito do ultrassom no vírus a "combater o vírus no grito". A energia das ondas sonoras provoca uma mudança morfológica tão intensa nas partículas virais que elas explodem, semelhante ao processo de estouro de pipoca. Essa degradação da estrutura do patógeno, especialmente do envelope viral, impede que o vírus invada células humanas.

Potencial Terapêutico

A inativação de vírus envelopados por ultrassom apresenta novas perspectivas para o tratamento de doenças virais. A equipe já está realizando testes in vitro para combater infecções como dengue, chikungunya e zika. Essa nova abordagem é particularmente relevante, uma vez que o desenvolvimento de medicamentos antivirais convencionais é frequentemente complicado e demorado.

Vantagens do Ultrassom

O uso de ultrassom para inativar vírus é uma estratégia promissora, com benefícios adicionais: não gera resíduos, é ambientalmente sustentável e não favorece a resistência viral. O professor Flávio Protásio Veras, da Universidade Federal de Alfenas, destaca que, apesar de ainda não estar pronto para uso clínico, esse método oferece uma alternativa viável frente aos desafios na produção de antivirais.

Colaboração Interdisciplinar

O estudo envolveu especialistas de diversas áreas, incluindo físicos teóricos e acústicos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), além de profissionais do Centro de Pesquisa em Virologia e do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias da USP. A colaboração internacional também foi essencial, com a participação de Charles Rice, prêmio Nobel de Medicina, que forneceu vírus fluorescentes para visualização em tempo real.

Inovações e Desafios

Os pesquisadores se surpreenderam com a descoberta, que contradiz teorias físicas tradicionais, já que o comprimento de onda do ultrassom é maior do que o tamanho do vírus. A ressonância acústica é particularmente eficaz em partículas esféricas, como muitos vírus envelopados, resultando em um acúmulo de energia que leva à ruptura do envelope viral. Além disso, variantes do vírus, como as observadas na COVID-19, não afetam a eficácia do tratamento devido à especificidade da interação geométrica.

Aplicações e Diferenciação

É importante notar que essa técnica não se destina à descontaminação, já que o ultrassom, aplicado em baixas frequências, é utilizado em outras áreas, como na profilaxia de equipamentos médicos. A ressonância acústica opera em altas frequências (3-20 MHz), permitindo uma ação seletiva que desestabiliza apenas o vírus, preservando as células saudáveis.

Para mais informações sobre a pesquisa, o artigo intitulado "Ultrasound effectively destabilizes and disrupts the structural integrity of enveloped respiratory viruses" pode ser acessado em Science Reports.

Informações da Agência FAPESP

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