MJSP cobra TikTok sobre trend que promove violência contra mulheres

Por Redação
3 Min

Ministério da Justiça e Segurança Pública Reage a Conteúdos Misóginos no TikTok

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em uma ação contundente, solicitou informações ao TikTok Brasil sobre as medidas que a plataforma está adotando para combater a disseminação de conteúdos misóginos. A decisão ocorre em resposta à viralização da trend "caso ela diga não", que surgiu nas proximidades do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Os vídeos associados a essa trend mostravam jovens simulando atos de violência física contra manequins que representavam mulheres, acompanhados de mensagens que conectavam a rejeição afetiva à violência.

A gravidade da situação não passou despercebida, levando a Polícia Federal (PF) a abrir um inquérito após uma notícia-crime apresentada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), uma entidade vinculada à Advocacia-Geral da União (AGU). A iniciativa do MJSP ressalta a urgência de lidar com conteúdos que não apenas ofendem, mas que podem incitar a violência contra as mulheres, um tema sensível em um país que ainda lida com altos índices de feminicídio.

O ofício enviado ao TikTok é claro: a responsabilidade da plataforma vai além da mera remoção de conteúdos já identificados. Com base em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o MJSP argumenta que provedores de aplicações de internet têm a obrigação de agir proativamente, retirando conteúdos que incitem ódio ou aversão às mulheres.

O TikTok tem um prazo de cinco dias corridos para apresentar um relatório detalhado à Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi). O documento deve incluir informações sobre os sistemas automatizados de moderação, mecanismos de revisão humana, monitoramento de tendências emergentes e controles sobre o algoritmo de recomendação. Além disso, a plataforma deve informar se os perfis envolvidos na disseminação deste conteúdo receberam algum tipo de monetização.

Em paralelo, o MJSP está encaminhando registros técnicos ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência (Diopi/Senasp), a fim de auxiliar as investigações em curso. Essa ação demonstra um comprometimento em lidar com a questão da misoginia online de forma robusta e sistemática.

A medida do MJSP não só destaca a responsabilidade das plataformas digitais, mas também reforça a necessidade urgente de discutir a relação entre o consumo de conteúdos misóginos e a violência contra as mulheres na sociedade. À medida que a tecnologia avança, a proteção dos direitos humanos e a promoção de um ambiente digital seguro se tornam cada vez mais essenciais.

Com informações da Agência Gov

Curtiu? Siga o Candeias Mix nas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, e Google Notícias. Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp e Telegram.
Compartilhe Isso