Polícia Militar e PCC: Operação Revela Conexões Criminosas
Um esquema envolvendo policiais militares da Rota e membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi desvendado após denúncias. As informações incluem um plano da facção para assassinar o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakyia em 2023.
Os detalhes surgiram em um depoimento de Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Ele integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e investiga as atividades do PCC há mais de 20 anos.
O caso se intensificou com a menção ao então comandante-geral da PM, José Augusto Coutinho, em um inquérito policial militar, que resultou em sua saída do cargo. Gakyia relatou que suspeitas de vazamento de informações por policiais do setor de inteligência da Rota foram comunicadas ao comando, mas nenhuma providência foi registrada.
As investigações revelaram que o possível envolvimento de policiais com a facção foi exposto em 2021, quando um membro do PCC começou a colaborar com as autoridades. Ele alegou que Marcos Roberto de Almeida, identificado como líder da facção nas ruas, escapou de uma operação policial após receber informações privilegiadas.
Em fevereiro de 2023, o mesmo colaborador trouxe à tona um plano para assassinar Gakyia e Moro. O depoimento indicou que um membro da cúpula do PCC, conhecido como “Nefo”, estava por trás do plano, ligado à “sintonia restrita” da organização criminosa.
Com base nessas informações, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sequaz, resultando na prisão de Janeferson Aparecido Mariano, considerado um dos articuladores do plano.
Outro desdobramento das investigações envolveu a empresa Transwolff, que operava linhas de ônibus em São Paulo e teve seu contrato rompido pela prefeitura. Um policial militar detido afirmou que o então comandante da PM teve conhecimento de irregularidades, mas não tomou medidas.
As denúncias levaram à abertura de um inquérito policial militar, que resultou na prisão de três policiais e na realização de buscas contra 16 investigados. Durante as ações, cerca de R$ 1 milhão em dinheiro foi apreendido em endereços relacionados ao caso.

