Antibióticos em Baixa Dose Mostram Eficácia no Tratamento de Ataques de Pânico

Por Redação
4 Min

Minociclina como Tratamento Potencial para Transtorno do Pânico

Um estudo recente sugere que pequenas doses de minociclina, um antibiótico, podem ser eficazes no tratamento do transtorno do pânico. Os experimentos realizados na Universidade Estadual Paulista (Unesp) com camundongos e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com humanos demonstraram que a minociclina pode ter efeitos semelhantes aos do clonazepam, o antipânico mais prescrito e conhecido comercialmente como Rivotril.

O estudo, publicado na revista Translational Psychiatry, evidenciou que as doses de minociclina utilizadas foram menores do que as comumente empregadas para infecções bacterianas, o que diminui as chances de desenvolvimento de resistência bacteriana.

Os pesquisadores usaram um modelo experimental que induzia ataques de pânico em camundongos por meio da inalação de dióxido de carbono (CO2). Resultados mostraram que os camundongos tratados com minociclina por 14 dias apresentaram uma redução nas respostas panicogênicas. Em humanos, o tratamento também diminuiu a intensidade das crises de pânico associadas à inalação de CO2.

Efeitos Anti-inflamatórios da Minociclina

A minociclina possui propriedades anti-inflamatórias que podem ser benéficas no contexto psiquiátrico. Beatriz de Oliveira, uma das autoras do estudo, explica: “Conditiones psiquiátricas frequentemente resultam da inflamação de células nervosas. A ação anti-inflamatória da minociclina pode, portanto, ajudar na melhora dos sintomas do transtorno do pânico.” Isso contrasta com o clonazepam, que atua inibindo receptores específicos no cérebro.

Embora as respostas ao tratamento com minociclina possam diferir das observadas com o clonazepam, essa opção terapêutica pode beneficiar os cerca de 50% dos pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

Perspectivas Futuras e Novos Estudos

A minociclina, já aprovada para uso em humanos, permite que os estudos clínicos avancem diretamente para fases mais avançadas com maior número de pacientes e avaliação de diferentes dosagens e efeitos colaterais.

Além disso, a pesquisa abre a possibilidade de explorar outras drogas com ação anti-inflamatória nas micróglias que possam oferecer efeitos ainda mais satisfatórios no tratamento do transtorno do pânico.

Experimentos e Resultados

Os pesquisadores analisaram 49 pacientes diagnosticados com transtorno do pânico, os quais inalaram ar enriquecido com 35% de CO2. Os níveis de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina (IL) 2sRα e IL-6, foram reduzidos nos pacientes que tomaram minociclina. Além disso, observaram uma redução na TNFα, uma citocina relacionada a processos inflamatórios.

Os resultados demonstraram que as diferenças nos níveis de citocinas não foram detectadas devido a limitações metodológicas, mas o tratamento com minociclina resultou em respostas comportamentais significativas em camundongos, como redução dos saltos após a indução do ataque de pânico.

Análises do locus coeruleus, uma região do cérebro relacionada ao pânico, mostraram uma diminuição da densidade de micróglias, reforçando sua importância no desfecho dos ataques de pânico.

Conclusão

Enquanto a adoção da minociclina como tratamento para o transtorno do pânico requer mais pesquisas, este estudo abre novas possibilidades para abordagens terapêuticas em condições psiquiátricas ligadas à inflamação das células nervosas. Para mais detalhes, o artigo completo pode ser acessado aqui.

Informações da Agência FAPESP

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