Vírus do Resfriado Se Oculta e Multiplica nas Amígdalas e Adenoides Mesmo em Indivíduos Assintomáticos

Por Redação
3 Min

Rinovírus: Um "Eschonho" nos Tecidos das Crianças

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revela que tecidos como amígdala e adenoide podem atuar como "esconderijos" para o rinovírus, principal causador de resfriados e responsável por uma grande parte das infecções respiratórias globalmente.

A pesquisa, que envolveu 293 crianças submetidas à cirurgia para remoção desses tecidos, demonstrou que o rinovírus consegue infectar linfócitos, células de defesa do corpo, e permanecer nelas por períodos prolongados sem causar sintomas, possibilitando sua transmissão para outras pessoas de forma assintomática.

A Relação com o Início das Aulas

O rinovirologista Eurico de Arruda Neto, coordenador da pesquisa, aponta que a infecção do rinovírus coincide com o início do ano letivo nas regiões de clima temperado, levando os alunos a se espalharem com o vírus para a família, mesmo sem apresentarem sintomas.

Historicamente, sabe-se que o rinovírus invade o epitélio nasal e da garganta, utilizando os recursos celulares para sua multiplicação, resultando na lise da célula hospedeira. Este ciclo rápido atrai a resposta do sistema imunológico, que normalmente elimina o vírus em aproximadamente cinco a sete dias.

A Novidade da Pesquisa

O aspecto inovador do estudo é que, além de infectar o epitélio superficial, o rinovírus também alcança camadas mais profundas das amígdalas e adenoides, afetando linfócitos B (produtores de anticorpos) e T CD4 (reguladores da resposta imunológica). Esses linfócitos têm uma vida útil longa e desempenham um papel fundamental na memória imunológica. Surpreendentemente, o rinovírus persiste nessas células, semelhante ao que ocorre com os vírus herpes e HPV.

Durante a cirurgia, embora as crianças estivessem assintomáticas, o rinovírus foi encontrado em uma quantidade significativa. Além das amígdalas e adenoides, a secreção nasal também foi analisada, e o vírus estava presente em 46% dos casos investigados, indicando sua capacidade de multiplicação e potencial para infectar outros indivíduos.

Implicações Clínicas e Questões em Saúde

A pesquisa levanta questões importantes para pediatras sobre diagnósticos diferenciais em doenças respiratórias infantis. Por exemplo, uma criança com amígdalas hipertróficas pode apresentar sintomas de infecção respiratória, mas ainda assim, os testes podem detectar a presença de rinovírus de uma infecção anterior.

Além disso, existe uma preocupação com o impacto de vírus persistentes em pacientes imunossuprimidos. Arruda sugere que esses vírus poderiam ser reativados em pacientes com baixa imunidade, levando a infecções respiratórias graves sem que haja transmissão externa.

Conclusão

Este estudo sobre o rinovírus e sua persistência nos tecidos linfoides oferece novas perspectivas no entendimento das infecções respiratórias em crianças. O artigo completo, intitulado "Rhinovirus infects B and CD4 T lymphocytes in hypertrophic tonsils in children," pode ser acessado aqui.

Informações da Agência FAPESP

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