Estudo Revela Interações entre Dieta e Microbiota em Colônias de Formigas-Cortadeiras
Uma colônia de formigas-cortadeiras, ou saúvas, é um ecossistema complexo que abriga não apenas formigas, mas também diversos fungos e bactérias. Novas pesquisas trazem à tona o papel crucial desempenhado por esses microrganismos em resposta às alterações na dieta fornecida pelas formigas aos fungos que cultivam.
Pesquisa das Universidades de São Paulo
Um estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP), revela como as bactérias nas colônias de formigas-cortadeiras reagem às diferentes dietas. Publicado na NPJ Biofilms and Microbiomes, essa pesquisa abre novas perspectivas para entender o funcionamento das colônias e pode contribuir para a descoberta de moléculas com potencial biotecnológico.
As formigas-cortadeiras, da tribo Attini, cultivam um fungo que digere matéria orgânica e fornece nutrientes em troca de alimento e proteção. Mariana de Oliveira Barcoto, primeira autora do estudo, destaca que a pesquisa foi motivada pela busca de similaridades na resposta da microbiota das colônias às variações dietéticas, semelhante a estudos realizados em humanos.
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Influência da Dieta nas Colônias
Os pesquisadores observaram que uma dieta composta exclusivamente de frutas e cereais alterou significativamente a microbiota da colônia. O fungo simbiótico cessou seu crescimento nessas colônias, paralisando a produção de alimento para as formigas. Este fenômeno pode ser atribuído à adaptação do fungo e das bactérias às fibras mais complexas presentes nas folhas, que são mais nutritivas.
O experimento envolveu 28 colônias de saúva-limão (Atta sexdens), divididas em quatro grupos alimentares, incluindo uma dieta controle com folhas. Ao final dos 56 dias do experimento, foi constatado que a microbiota das colônias poderia retornar à sua composição original quando a dieta anterior era restabelecida.
Abordagem Multidisciplinar
Analisar a resposta da microbiota das colônias às alterações dietéticas é uma tarefa desafiadora. Para isso, o estudo reuniu uma equipe multidisciplinar, incluindo especialistas de diferentes áreas, o que possibilitou uma investigação abrangente. Técnicas avançadas, como ressonância magnética e sequenciamento genético, foram utilizadas para obter dados precisos sobre as interações microbianas.
Potencial Biotecnológico das Colonias
As análises revelaram que as colônias de formigas-cortadeiras operam como um contínuo de degradação de lignocelulose. As operárias removem materiais não nutritivos para um setor de lixo, onde um distinto grupo de bactérias continua atuando. Este "lixo" pode ser uma fonte promissora para encontrar microrganismos e enzimas que degradam materiais orgânicos, como lignocelulose, com aplicações potenciais em biocombustíveis e biorremediação.
Conclusão e Futuras Pesquisas
O estudo destaca a relevância da dieta na estrutura da microbiota das colônias de formigas-cortadeiras e abre caminho para novas investigações, que poderão explorar outros fatores, como temperatura e umidade. A pesquisa também sugere que variações nos hábitos alimentares poderiam ter implicações significativas em cenários de mudanças climáticas.
Para mais informações, confira o artigo completo You are what your fungus eats: diet shapes the microbial garden of a fungus-growing ant aqui.
Informações da Agência FAPESP
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