Com romance e história de Candeias, jovem autora candeiense lança seu primeiro livro

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Foto: Divulgação

Mulher negra, periférica e escritora. É assim que a jovem Ariane Sodré se apresenta. Com 19 anos e moradora de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, ela embarcou no sonho de ser autora e está lançando seu primeiro livro, o romance juvenil “Ah… se não fosse esse verão!”. O lançamento aconteceu em uma live no perfil da autora, nesta sexta-feira (19).

O livro traz a trama de Ingrid, uma jovem que vive entre as cidades de Candeias e Madre de Deus e enfrenta os típicos dilemas da chegada da vida adulta: o desafio de ingressar em uma faculdade pública, os problemas familiares, o primeiro relacionamento amoroso e, em meio a tudo isso, a surpresa de um novo amor.

“Ingrid é uma jovem negra que, assim como eu e tantas outras meninas baianas, tem a vida o tempo todo lhe exigindo coragem. Tenho certeza que o leitor, independente da geração, vai se identificar de alguma forma, não só com os personagens, mas com as situações vividas por eles, os desafios e os lugares que são palco para essa história. Trazer representatividade é um dos motivos que mais me orgulha nesse livro”, conta a autora.

A trama de verão se passa nas ruas de Candeias e nas praias de Madre de Deus. Mas as cidades não são apenas palco das aventuras de Ingrid, elas fazem parte de todo o enredo. Enquanto a personagem enfrenta seus desafios, ela descobre a história e apresenta ao leitor aspectos culturais das cidades.

O surgimento do Arrocha, a história e a relação de Candeias com o petróleo, a popular festa do “Toma Sopa”, tudo isso está presente no livro e não só ajuda a descrever os locais por onde Ingrid transita, mas faz dessas cidades personagens de destaque na história. E a população de Madre de Deus e Candeias já está na expectativa de se ver e ver sua terra representada nas páginas de “Ah… se não fosse esse verão”!.

“A forma como as pessoas de Candeias e Madre têm abraçado o livro chega até a me assustar um pouco, porque quando eu comecei a escrever pensava em meus amigos e família lendo, e agora vejo outras pessoas chamando de nossa história, nosso livro, nossa autora. Sinto um acolhimento enorme e percebo que o livro tem estimulado orgulho da cidade, do nosso jeito, das nossas semelhanças. Isso é maravilhoso”, revela Ariane.

Diante desse acolhimento, a autora já decidiu que ele terá uma continuação. Mas até lá, os leitores podem adquirir a versão física ou digital de “Ah…se não fosse esse verão!” através do site www.ocapitulo.com.

Quem é Ariane Sodré
Filha e sobrinha de professoras, Ariane cresceu ao lado da escrita e da leitura. O sonho de ser escritora parecia ser ambicioso demais para uma jovem moradora do distrito de Passagem dos Teixeiras, em Candeias, mas não abandonava Ariane. Ela cresceu, ingressou em uma faculdade e, em um determinado dia, decidiu que não deixaria mais seu sonho para depois. Com papel e caneta em mãos literalmente, Ariane começou a escrever. Foram dias com pulso doendo, dias escrevendo a mão 150 páginas do que seria seu primeiro romance lançado, “Ah… se não fosse esse verão”. Como uma mulher preta e periférica, Ariane sabe da importância da representatividade. Por isso, seu livro traz como protagonista uma jovem negra, que enfrenta típicos desafios da juventude baiana. E sobre o futuro, a jovem autora só tem uma certeza: continuar escrevendo e representando.

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