Cientista de dados diz que inverno pode aumentar casos de covid-19 e prevê 3ª onda

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ábitos no inverno podem favorecer transmissão de doenças respiratórias (Paula Fróes/CORREIO)

Reabertura das praias, redução do horário limite do toque de recolher e volta às aulas presenciais. O aumento da mobilidade da população baiana por causa de medidas como essas chamou a atenção do cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador na Rede Análise Covid-19. Segundo seus cálculos, o estado ainda vive um momento que preocupa, com tendência de aumento de notificações de novos casos e uma possibilidade real de vivermos a chamada “terceira onda”, com maior circulação do vírus durante o inverno.

“Se a gente analisa com base nos dados, percebemos que o Brasil sempre teve pico de síndrome respiratória aguda grave nessa estação [inverno], pois o comportamento das pessoas muda em temperaturas baixas. No frio, não tem como deixar janela aberta ventilando no ônibus, por exemplo. Temos hábitos e comportamentos que favorecem a transmissão de doenças respiratórias”, explicou o cientista em entrevista ao CORREIO.

Natural e morador de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Isaac é formado em processos gerenciais e trabalha como consultor empresarial em gestão de riscos em projetos. Começou a fazer as análises da pandemia de forma voluntária. “Era o que eu já fazia no meu trabalho”, lembra. A qualidade chamou a atenção de colegas que o convidaram a fazer parte da Rede Análise Covid-19.

“EM SETEMBRO, ALERTEI SOBRE A POSSIBLIDADE DA SEGUNDA ONDA NO BRASIL E, EM DEZEMBRO, SOBRE A POSSIBILIDADE DE O PAÍS ATINGIR MAIS DE 3 MIL MORTES DIÁRIAS EM 2021”, RECORDA. DESSA VEZ, ELE CONSIDERA A POSSIBILIDADE DE UMA TERCEIRA ONDA NO PAÍS COMO ALGO REAL. “A ÚNICA MANEIRA DE NÃO SER REAL É SE A GENTE TIVESSE ESGOTADO A QUANTIDADE DE PESSOAS SUSCETÍVEIS AO VÍRUS E NÃO TER MAIS NINGUÉM APTO A PEGAR A DOENÇA”, DIZ.

Através de diversos dados, como a geolocalização do Google Mobility e a quantidade de pessoas reportando sintomas na rede social Facebook, ele consegue observar que o cenário na Bahia é preocupante.

“Houve um pequeno salto no número de notificações de novos casos. Isso é somado com a estabilização na velocidade oficial de notificação e aumento da mobilidade das pessoas, o que acende o alerta. É melhor uma ação agora, quando estamos vendo a fumaça, do que deixar virar um incêndio”, explica.

Quem é – Isaac Schrarstzhaupt é cientista de dados, formado em processos gerenciais e trabalha como consultor empresarial em gestão de riscos em projetos. Começou a fazer as análises de forma voluntária e foi convidado para ser coordenador na Rede Análise Covid-19, composta por cerca de 80 pessoas de diversas áreas, com o objetivo de coletar, analisar, modelar e divulgar dados relativos à covid-19. Isaac alertou, ainda em setembro de 2020, sobre a possiblidade da segunda onda no Brasil e, em dezembro, alertou sobre a possibilidade do país atingir mais de 3 mil mortes diárias em 2021.

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