Subúrbio: tesouros das culturas indígena e negra entre belas praias e linha do trem.

Por Redação
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A inauguração da Casa das Histórias de Salvador, em 2024, para celebrar os 475 anos da capital baiana, é um marco cultural para a cidade. A exposição dedicada ao Acervo da Laje, que reúne obras de artistas do Subúrbio Ferroviário há 14 anos, é uma amostra rica e diversa da coleção. O acervo tem sua sede no bairro de São João do Cabrito e inclui pinturas, fotografias, esculturas e objetos históricos.

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A diversidade do Subúrbio é refletida na sua riqueza cultural, impossível de ser resumida em uma única história. Na região, encontramos bairros planejados e outros de ocupação desordenada, casas ostentosas da época de veraneio e residências simples sem reboco. Além disso, é possível observar a presença de um dos maiores parques urbanos do país, indústrias, linhas de trem e portos, tudo isso espalhado ao longo de um litoral privilegiado, com belas praias e mar calmo, abrigado pela Baía de Todos-os-Santos.

A ocupação do Subúrbio remonta a um período anterior à fundação de Salvador, em 1549. Documentos datados de 1544 mencionam a criação do Engenho de Afonso Torres em Paripe, onde foi registrada a primeira produção de açúcar documentada no país. Durante 400 anos, o Subúrbio foi caracterizado por suas extensas fazendas de cana-de-açúcar, evidenciando a forte presença da cultura negra e das religiões de matriz africana na região, especialmente no Parque São Bartolomeu, onde a maioria da população era composta por homens e mulheres escravizados.

A partir dos anos 1970, a paisagem do Subúrbio começou a se transformar, tornando-se uma das áreas de maior densidade populacional da cidade. No entanto, a história da região remonta aos povos tupinambás, que se estabeleceram nas terras ao redor da baía devido à fartura de peixes, rios e mata fechada. Um dos sítios arqueológicos mais importantes da região é o Sambaqui da Pedra Oca, localizado na praia de Periperi, onde foram encontrados importantes vestígios da presença humana anterior à colonização.

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Durante décadas, o Subúrbio foi marcado pela economia açucareira e do fumo, com a presença de engenhos e fazendas que mantinham uma população escravizada. No início do século XIX, o Quilombo do Urubu, fundado por Zeferina, surgiu como um importante espaço de resistência e cultura negra, onde os quilombolas cultuavam os orixás. A comunidade resistiu até ser derrotada por soldados de Salvador em 1826.

A presença da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, inaugurada em 1860, foi fundamental para o desenvolvimento do Subúrbio, atraindo indústrias e povoados de operários ao redor da linha férrea. O trem também foi essencial como meio de transporte de passageiros, contribuindo para a chegada de famílias em busca de melhores condições de vida na cidade.

No início do século XX, o Subúrbio se tornou uma região de veraneio cobiçada pelas elites de Salvador, atraídas pelas belas praias e pela biodiversidade local. A descoberta de petróleo no Lobato em 1939 trouxe transformações econômicas significativas para a região, atraindo uma grande massa de migrantes em busca de emprego e moradia.

A formação do Subúrbio foi marcada por uma diversidade de cenários e experiências, desde bairros planejados como Periperi até ocupações desordenadas ao longo da Avenida Afrânio Peixoto. Para o historiador Augusto Fiuza, o Subúrbio ofereceu oportunidades de vida para a população negra e pobre, que encontrou formas de construir suas moradias e se estabelecer na região.

Em resumo, o Subúrbio de Salvador é um lugar de múltiplas histórias e vivências, que se entrelaçam para formar uma narrativa rica e diversa da cidade. A exposição no Acervo da Laje é apenas um reflexo desse universo cultural e histórico que merece ser explorado e valorizado.

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