Parlamentares baianos avaliam chances de Alessandro Vieira ser terceira via

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Foto: AG senado

Congressistas e lideranças políticas baianas variaram da incredulidade ao entusiasmo com a possibilidade de uma terceira via presidencial representada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que se colocou à disposição do partido para a disputa pelo Palácio do Planalto.

Colega de Vieira na CPI da Covid – onde o representante sergipano tem se destacado – o senador Ângelo Coronel (PSD) afirmou que todos com pretensão em concorrer ao Palácio do Planalto devem se colocar agora, mas reforçou a expectativa por uma candidatura competitiva do PSD. “Acho que todo cidadão brasileiro tem vontade e, até que prove o contrário, capacidade de gerir. Agora, ele [Vieira] não é o meu candidato, porque torço pelo candidato do partido”, declarou Coronel. O senador baiano vê “bem encaminhada” a filiação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (atualmente no DEM) ao PSD, para concorrer ao maior cargo do país em 2022.

Outro senador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou que a disposição de Vieira “é bem-vinda e com certeza contribui com o debate democrático”. “Teremos tantas candidaturas – ou vias, se preferem chamar assim – quanto brasileiros e brasileiras que se habilitem a apresentar um projeto para o Brasil”, disse o petista, por meio de sua assessoria.

O tom de Wagner, pré-candidato do PT ao governo da Bahia, difere do discurso da maioria da militância petista, que tem buscado associar a tentativa de uma terceira via a uma espécie de bolsonarismo “arrependido” ou “repaginado”. “Tudo é retórica para criar uma nova forma de enganar o eleitorado. Não existe terceira via, o que existe são dois pensamentos. Terceira, quarta, quinta via…eles estão cada mais inviáveis. Não tem nada de novo. É mais do mesmo, com outra fantasia”, opina o deputado federal Zé Neto (PT).

Ex-vice-líder do governo Bolsonaro, o deputado governista José Rocha (PL) não enxerga em Vieira um candidato viável eleitoralmente para representar a chamada terceira via e lança dúvidas até mesmo sobre a chance de uma candidatura única em oposição ao ex-presidente Lula (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para ele, o cenário mais provável é de “duas candidaturas de centro”, uma delas possivelmente representada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). ”

Já a deputada federal Dayane Pimentel (PSL), ex-aliada de Bolsonaro, elogiou a iniciativa do senador do Cidadania. “Quem acha que ficaremos na polarização infernal entre Lula e Bolsonaro vai ter que engolir mais um nome de responsabilidade, equilíbrio, patriotismo e humanidade que acaba de entrar em campo. Alessandro Vieira, senador de alto nível, coloca-se à disposição também”, escreveu a parlamentar no Twitter.

Presidente do Cidadania na Bahia, o vereador Joceval Rodrigues afirmou que o correligionário é um “alento” e uma “esperança” diante da “polarização” entre Bolsonaro e “um grupo que deixou várias feridas”. “É um senador combativo, com demonstração de comprometimento com o bem comum e o cidadão brasileiro. Está faltando um debate sobre projeto de país, e ele representa tudo isso para mim. Um senador qualificado, com projeção nacional não apenas agora na pandemia. Vejo com bons olhos”, declarou.

Ao colocar-se à disposição do Cidadania para concorrer a presidente, Vieira disse não ser “representado pela permanência de Bolsonaro no poder ou pelo retorno de Lula” e afirmou que “milhões de brasileiros têm o mesmo sentimento”.

Ex-delegado e apoiador da Lava Jato, o Vieira votou em Bolsonaro no segundo turno em 2018, mas afirma ter se arrependido da escolha.

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