A verba destinada à publicidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em plataformas digitais superou, pela primeira vez, em 2025, os valores gastos com emissoras de TV como SBT e Band. Essa informação foi publicada pela Folha de S. Paulo.
De acordo com dados da Secretaria de Comunicação Social e de diversos ministérios, as gigantes da tecnologia Google e Meta receberam, juntas, pelo menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões que foram empregados em anúncios federais no último ano. Essas empresas, pela primeira vez, figuram entre as maiores beneficiadas, ficando atrás apenas dos grupos Globo e Record.
Essa alteração na alocação de recursos reflete a nova estratégia do governo, que visa aumentar o investimento em publicidade digital. A fatia destinada a esses meios passou de cerca de 20% para mais de 30% do total. Em 2022, durante o último ano da gestão de Jair Bolsonaro, esse percentual era de apenas 17,7%.
Os recursos foram empregados para divulgar diversas ações, como o slogan “Brasil Soberano”, programas sociais e medidas econômicas, além de campanhas institucionais. A expectativa é que essa tendência continue a crescer em 2026, ano em que Lula deverá concorrer à reeleição.
O investimento em plataformas digitais registrou um crescimento expressivo: os repasses ao Google saltaram de R$ 10,5 milhões em 2023 para pelo menos R$ 64,6 milhões, enquanto a Meta viu seu montante passar de R$ 30,1 milhões para R$ 56,9 milhões no mesmo período.
Apesar desse aumento, a televisão ainda detém a maior parte dos recursos, com aproximadamente 45% do total. No último ano, a Globo recebeu cerca de R$ 150 milhões em publicidade federal, seguida pela Record, que recebeu R$ 80,5 milhões. O SBT e a Band ficaram atrás das plataformas digitais, recebendo R$ 45,8 milhões e R$ 24,4 milhões, respectivamente.
A nova estratégia do governo também ampliou sua presença em mídias emergentes. Plataformas como Kwai e serviços de streaming, como Prime Video e Netflix, começaram a receber investimentos crescentes.
Por outro lado, a publicidade na plataforma X sofreu uma redução significativa, pois deixou de receber recursos após tensões entre o empresário Elon Musk, o ministro Alexandre de Moraes e o próprio Lula.
A Secretaria de Comunicação (Secom) ressalta que o aumento da verba digital acompanha a mudança nos hábitos de consumo de informação da população e busca ampliar o alcance dos serviços públicos. No total, a verba de propaganda do governo federal alcançou aproximadamente R$ 1,5 bilhão no último ano, atingindo o maior patamar desde 2017, segundo estimativas baseadas em dados públicos. Desse total, a maior parte é destinada à compra de espaço publicitário, enquanto o restante financia a produção das campanhas.

