O deputado federal Paulo Azi (União Brasil), que atua como relator da proposta que visa extinguir a escala 6×1, manifestou-se nesta sexta-feira (20) sobre a possibilidade de modernização da jornada de trabalho no Brasil, desde que haja uma previsibilidade econômica adequada. Sua declaração ocorreu durante o evento CNN Talks, que foi realizado no Insper, em São Paulo.
Durante o debate, Azi ressaltou que a redução da carga horária é uma reivindicação histórica, mas que deve ser tratada com cautela para não prejudicar a criação de novos postos de trabalho. A discussão atraiu a presença de importantes líderes do setor, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf; o presidente da Abrainc, Luiz França; e o conselheiro da Abrasce, Vander Giordano.
O deputado defendeu que qualquer eventual redução na jornada de trabalho deve ser implementada sem que haja diminuição dos salários, a fim de preservar o poder de compra dos trabalhadores. Para Azi, vincular essa medida à redução salarial eliminaria os benefícios que a proposta pretende oferecer.
Impacto econômico e tramitação
Um estudo apresentado pela Fecomércio no evento revela que a modificação na escala de trabalho, sem a correspondente queda salarial, pode resultar em um aumento de até 22,2% no custo da hora trabalhada. Esse dado levanta questões importantes sobre a viabilidade econômica da proposta.
Referente à tramitação da proposta, Azi afirmou que não enxerga impedimentos jurídicos que possam barrar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso. Contudo, ele enfatiza a necessidade de incluir um período de transição e medidas compensatórias, como a desoneração da folha de pagamento, especialmente para micro e pequenas empresas, que frequentemente enfrentam dificuldades financeiras.
Além disso, o deputado destacou o desafio de conduzir esse debate em um ano eleitoral, sublinhando a importância de evitar que a discussão seja afetada por discursos populistas. Para Azi, a elaboração da proposta deve envolver uma ampla colaboração entre o governo federal, os trabalhadores e os empregadores, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida sem provocar um aumento da informalidade ou pressões inflacionárias no setor de serviços.

