Na última terça-feira (10), uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve como alvo o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. A ação foi desencadeada em decorrência de publicações feitas por Almeida que envolviam o ministro Flávio Dino.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no contexto de uma investigação que tramita sob sigilo. Conforme informações publicadas pelo portal g1, o jornalista teria divulgado conteúdos que apresentavam detalhes sobre um veículo utilizado pelo ministro durante suas atividades no Maranhão.
A Polícia Federal informou que, desde novembro de 2025, Almeida começou a veicular reportagens que incluíam fotos e informações referentes ao carro funcional do ministro. Em suas publicações, o jornalista alegou que o veículo, oficialmente vinculado ao Tribunal de Justiça do Maranhão, estaria sendo utilizado por membros da família de Dino.
Na decisão que autorizou a operação, Moraes ressaltou que o autor das publicações “se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos”, o que teria permitido uma “exposição indevida relacionada à segurança de autoridades”.
O caso, inicialmente atribuído ao ministro Cristiano Zanin, foi transferido para Moraes no início de 2026, após decisão da presidência do STF. A avaliação foi de que a situação se relacionava ao Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, com o intuito de investigar ataques e ameaças a ministros do tribunal.
A investigação não é a primeira envolvendo Luís Pablo. A Polícia Federal também comunicou ao STF que o jornalista já havia sido alvo de apuração em 2017 por suspeita de extorsão, sendo acusado de exigir dinheiro para não divulgar informações referentes a operações policiais.
Essa ação judicial gerou reações de várias entidades representativas da imprensa. Em uma nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) qualificaram a medida como alarmante.
As organizações afirmaram que a atividade jornalística é resguardada pela Constituição, que garante o sigilo da fonte, e defenderam que qualquer iniciativa que infrinja essa proteção representa uma ameaça ao livre exercício do jornalismo. Além disso, esperam que a decisão seja revisada, considerando-a incompatível com a proteção constitucional à liberdade de imprensa.

