Em uma crítica contundente ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação nesta sexta-feira (27) durante o encerramento da 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília. Lula questionou a falta de apresentação de projetos voltados para obras e medidas de prevenção a desastres climáticos, mesmo com a disponibilidade de recursos significativos, que chegam a R$ 3,5 bilhões provenientes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Ao discursar, o presidente destacou que os desastres provocados pelas recentes enchentes são reflexos de um descaso histórico em relação à população mais vulnerável do Brasil. Ele enfatizou que a falta de investimentos para proteger comunidades carentes é alarmante, pois muitos prefeitos têm conhecimento prévio de áreas que não devem ser ocupadas devido ao risco de desastres.
O ministro das Cidades, Jader Filho, também se uniu às críticas feitas por Lula ao governo de Minas Gerais. Ele mencionou que os recursos disponíveis poderiam ser utilizados em obras essenciais, como contenção de encostas e macrodrenagem, que são necessárias para mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos. A fala de Jader reforçou a urgência de ações governamentais eficazes para a proteção da população.
No dia seguinte, sábado (28), Lula planeja visitar as cidades mineiras de Juiz de Fora e Ubá, áreas que sofreram os impactos mais severos do temporal. Até o momento, o número de mortes causadas pelas enchentes já chega a, pelo menos, 64, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de respostas rápidas e eficientes por parte dos governantes.
A visita do presidente às regiões afetadas visa não apenas prestar apoio às vítimas, mas também sinalizar a importância de um planejamento mais robusto para enfrentar desastres socioambientais no futuro. É fundamental que haja um comprometimento efetivo por parte dos gestores públicos em investir em ações preventivas e em infraestrutura que protejam a população mais vulnerável. O momento exige uma reflexão profunda sobre as prioridades e a responsabilidade dos governos em garantir a segurança e o bem-estar de todos os cidadãos.
Concluindo seu discurso, Lula reiterou que o investimento em prevenção é indispensável. “Um prefeito deve ter a consciência de que certas áreas não podem ser ocupadas”, exemplificou, destacando a importância de uma gestão consciente e proativa nas ações sociais e urbanas. O apelo do presidente ressoa como um alerta para a necessidade de mudança nas políticas públicas, que devem priorizar a vida e a dignidade das pessoas.

