Lula afirma que Sul Global pode transformar a economia mundial

Por Redação
8 Min

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância da união entre os países em desenvolvimento, especialmente aqueles do chamado Sul Global, com o objetivo de “transformar a lógica econômica” global. Essa declaração foi feita na madrugada deste domingo (22), logo antes de Lula encerrar sua visita à Índia e seguir para a Coreia do Sul.

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente abordou as dificuldades históricas que as nações menos desenvolvidas enfrentam nas negociações com superpotências. Ele afirmou: “Sempre defendemos que países menores se unam para negociar com aqueles que são maiores. Nações como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global devem ficar juntas, pois, em negociações diretas com superpotências, a tendência é sempre a de perder”.

Segundo ele, “os países em desenvolvimento têm o potencial de mudar a lógica econômica do mundo. Isso é possível, basta haver vontade. Chegou o momento de promover essa mudança. Falo isso baseado em 500 anos de experiência colonial, pois continuamos a ser colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos estabelecer parcerias com aqueles que compartilham de nossas similaridades, para somar forças e nos tornarmos mais robustos”, acrescentou.

Brics

Na visão de Lula, o Brics desempenha um papel crucial na criação dessa nova lógica econômica global. O bloco, segundo o presidente, “está adquirindo uma nova identidade”.

“É um agrupamento que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo isso ainda é recente. Tenho ciência de que os Estados Unidos demonstram certa inquietação, que na verdade se concentra na China. Porém, não desejamos uma nova Guerra Fria. O que queremos é fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar uma estrutura equivalente ao G30”, argumentou.

Ele também negou a intenção de criar uma moeda específica para o Brics. “Nunca defendemos a criação de uma moeda dos BRICS. O que propomos é realizar comércio utilizando nossas próprias moedas, para diminuir dependências e custos. É certo que os EUA não reagirão bem em um primeiro momento, mas isso é algo que devemos discutir”, esclareceu.

ONU

O presidente brasileiro reiterou a defesa do multilateralismo e a necessidade de fortalecer a ONU, que, segundo Lula, precisa recuperar sua legitimidade e eficácia. A ONU, destacou ele, tem como uma de suas funções principais a manutenção da paz e da harmonia mundial.

“Recentemente, entrei em contato com quase todos os presidentes, propondo que precisamos encontrar uma resposta para o que ocorreu na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia. Não podemos permitir que, de maneira unilateral, qualquer país — por maior que seja — interfira na vida de outras nações. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de questão. Por isso, ela deve ter representatividade”, reiterou.

EUA

Em relação à parceria entre o Brasil e os Estados Unidos, Lula afirmou que boas colaborações podem surgir, caso o governo norte-americano demonstre interesse em combater organizações criminosas transnacionais, como o narcotráfico.

“Atualmente, o crime organizado opera como uma multinacional. Por esse motivo, nossa Polícia Federal precisa estabelecer parcerias com todos os países que tenham a disposição de enfrentá-lo. E se o governo dos EUA realmente quiser combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive solicitando a devolução de criminosos brasileiros que se encontram lá”, enfatizou.

Lula defendeu uma relação respeitosa da superpotência com os países da América do Sul e do Caribe, ressaltando que essa região é pacífica, sem armamento nuclear, e busca crescimento econômico, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos.

Esse é um assunto que ele planeja discutir com o presidente Donald Trump em um encontro futuro. “Quero abordar qual deve ser o papel dos EUA na América do Sul: se de ajuda ou de ameaça, como está acontecendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Precisamos direcionar nossa energia para erradicar a fome e combater a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países”, expressou, ao lembrar que o momento atual é o mais conflituoso desde a Segunda Guerra Mundial.

Sobre a recente derrubada da taxação imposta pelos EUA a outros países, Lula afirmou que não cabe a ele julgar decisões de cortes de outros países.

Índia

Lula também comentou os encontros que teve com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. “Discutimos amplamente nossa relação comercial e o fortalecimento dos laços entre o Brasil e a Índia. Não entramos em detalhes sobre questões geopolíticas. Eu conheço a posição da Índia em relação a determinados problemas, e eles entendem nosso ponto de vista. Falamos sobre o que nos une, especialmente em relação ao fortalecimento de nossas economias, com o objetivo de nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, descreveu, classificando a conversa como extraordinária e benéfica para ambos os países.

O presidente ressaltou que as conversas com empresários indianos também foram muito positivas. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e afirmam que aumentarão seus investimentos. Eles estão otimistas em relação ao Brasil”, disse.

Lula ainda reiterou que o Brasil está aberto à exploração de minerais críticos e terras raras, mas enfatizou que apenas aqueles dispostos a agregar valor no território brasileiro terão acesso a essas riquezas. “A transformação precisa ocorrer no Brasil. Vamos dialogar. O que não aceitaremos é que nossas terras raras sejam tratadas como nosso minério de ferro, que por muitos anos foi apenas extraído para exportação e depois compramos produtos manufaturados. Queremos que essa transformação aconteça aqui”, afirmou.

Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) com o intuito de fortalecer o comércio e parcerias estratégicas com a Índia e a Coreia do Sul. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano ao Brasil, ocorrida em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta visita de Lula à Índia e a segunda em seu atual mandato.

Neste domingo (22), Lula e sua comitiva desembarcaram em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país e a primeira de caráter oficial. Durante a estadia, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível das relações entre os países a uma parceria estratégica.

Com informações da Agência Brasil.

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