Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Ideia revelou a magnitude da reação do segmento evangélico em relação ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que rendeu homenagens ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Sambódromo do Rio de Janeiro no último domingo (15). Durante a apresentação, a escola de samba exibiu uma ala denominada “família em conserva”, que mostrava personagens associados aos evangélicos dentro de latas metálicas, provocando uma ampla discussão sobre a liberdade religiosa e a representação de grupos religiosos na arte.
Conforme o levantamento, 61,1% dos entrevistados expressaram a opinião de que os evangélicos foram retratados de maneira preconceituosa, considerando que a ala ofendeu a liberdade religiosa. Por outro lado, 11% classificaram a representação como uma crítica artística legítima, reconhecendo sua referência religiosa. Uma parcela de 8,7% enxergou a representação como uma sátira aceitável, enquanto 19,2% dos entrevistados não souberam opinar sobre o assunto.
Em outra análise da pesquisa, 48,3% dos participantes acreditaram que o desfile contribuiu para aumentar a polarização religiosa e política ou que, de alguma forma, normalizou a discriminação simbólica. Em contrapartida, 38,2% consideraram que a apresentação incentivou uma reflexão crítica ou ampliou o debate público, destacando a importância de discutir temas sensíveis. Para 13,4%, o desfile não trouxe impactos significativos.
O estudo também evidenciou que a repercussão do desfile se espalhou amplamente entre os evangélicos: 76,1% relataram ter visto ou ouvido falar sobre a ala. Entre esses, 19,1% assistiram ao desfile ou a vídeos da apresentação, enquanto 45,9% se informaram por meio de reportagens ou postagens nas redes sociais. Apenas 23,9% afirmaram não ter tido contato com o conteúdo.
Ao serem questionados sobre a reação pública, 35,1% dos entrevistados acreditaram que a resposta teria sido mais intensa se outro grupo religioso tivesse sido retratado da mesma forma. Em contrapartida, 14,8% avaliaram que a reação teria sido menos intensa, 29,3% afirmaram que seria igual e 20,9% não souberam responder à indagação.
A pesquisa foi realizada online no dia 18 de fevereiro, envolvendo 656 pessoas que se identificaram como protestantes ou evangélicas, distribuídas em 315 municípios. A margem de erro da pesquisa é de 3,8 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%, o que torna os resultados ainda mais significativos para compreender a percepção dos evangélicos sobre a representação de sua fé na cultura popular.

