O Avante está promovendo um plano audacioso para expandir sua presença na Assembleia Legislativa da Bahia antes das eleições de outubro. A cúpula estadual do partido visa aumentar sua bancada de um para seis deputados, o que representaria um impressionante crescimento de 500% no número de cadeiras ocupadas pela legenda. À frente dessa estratégia está o presidente estadual do partido, Ronaldo Carletto, que deseja posicionar o Avante como a terceira maior força na base governista, atrás apenas do PT e do PSD.
Atualmente, o partido possui apenas um representante na Assembleia, o deputado estadual Patrick Lopes, que é um aliado próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O petista é considerado o principal patrocinador do projeto de fortalecimento do Avante desde maio de 2023, quando se dedicou a articular nos bastidores para que Carletto assumisse a liderança do partido na Bahia.
Para a janela partidária de abril, já está confirmada a filiação do deputado Felipe Duarte, que atualmente está no PP. Além disso, Carletto tem avançado nas conversas com o deputado Laerte do Vando (Podemos) e o deputado Vitor Azevedo (PL), além de ter convidado o deputado Júnior Nascimento (União) a se juntar ao partido. Também estão em negociação as deputadas Fabíola Mansur e Soane Galvão, ambas do PSB, que também busca ser a terceira maior bancada do governo e tenta manter suas parlamentares.
Laerte e Vitor, ambos no primeiro mandato, foram eleitos em 2022 por partidos que apoiaram a candidatura de ACM Neto (União) ao Palácio de Ondina. No entanto, migraram para a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) logo no início da atual gestão. Por sua vez, Júnior Nascimento, primo do deputado federal Elmar Nascimento, continua alinhado ao grupo de Neto, mas considera a troca de legenda como uma estratégia para facilitar sua reeleição.
As discussões com Fabíola Mansur e Soane Galvão estão diretamente ligadas à reforma administrativa que Jerônimo anunciou. Existe a expectativa de que Soane assuma a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), atualmente liderada pela deputada estadual licenciada Neusa Cadore, que deve deixar o cargo para buscar a reeleição. Se essa mudança se concretizar, é provável que ambas permaneçam no PSB.
Se as negociações não avançarem, Fabíola pode perder seu mandato com o retorno do deputado licenciado Angelo Almeida, atual secretário de Desenvolvimento Econômico. A deputada já manifestou que, sem mandato, buscará uma legenda onde tenha mais chances de reeleição, e o Avante se posiciona como a principal alternativa nesse cenário.
No caso de Soane Galvão, que não pretende buscar a reeleição, a possibilidade de assumir uma secretaria é considerada natural. Ela deve se concentrar na articulação política em favor de seu marido, o ex-prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, conhecido como Marão, que planeja concorrer a uma vaga na Assembleia e negocia sua filiação ao Avante.
O crescimento projetado neste momento reflete um movimento iniciado em 2023, quando Rui Costa articulou, junto ao presidente nacional da legenda, Luis Tibé, a chegada de Ronaldo Carletto à liderança do partido no estado. Carletto substituiu o deputado federal Pastor Sargento Isidório, que permanece filiado.
Nas eleições municipais de 2024, o Avante cresceu de uma para 60 prefeituras na Bahia. Agora, a meta é repetir esse desempenho no Legislativo estadual e também ampliar sua bancada federal. Além de Isidório, o partido conta atualmente com o deputado federal Neto Carletto e já articula, nos bastidores, a possível filiação de Elmar Nascimento (União) como parte de sua estratégia de crescimento.

