A nova fase da investigação relacionada ao Banco Master gerou uma resposta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que é o relator do inquérito. Diante das pressões tanto públicas quanto internas sobre sua condução do caso, o magistrado autorizou, nesta quarta-feira (14), a deflagração da segunda fase da operação Compliance Zero, que inclui ações contra 42 indivíduos e fez críticas diretas ao trabalho realizado pela Polícia Federal (PF).
Segundo fontes próximas ao ministro, Toffoli demonstrou desconfiança em relação à atuação de autoridades ligadas ao governo federal que estão envolvidas na investigação, especialmente no que diz respeito à PF. Em conversas reservadas, o magistrado expressou sua preocupação de que a conduta dos investigadores poderia prejudicar sua imagem e a de outros ministros do STF, uma vez que a percepção de inércia na investigação sobre o banco se tornou predominante.
O ministro também se mostrou incomodado com declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, nesta semana, afirmou que o caso requer cautela, pois o país pode estar enfrentando a “maior fraude bancária da história”. Para interlocutores, ao autorizar a nova fase da operação, Toffoli quis deixar claro que o inquérito prosseguirá sob sua relatoria e que não há nenhuma proteção ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Apesar dessas ações, o ministro continua a ser questionado sobre a forma como vem conduzindo o caso. Críticas se concentram no sigilo imposto ao inquérito e em decisões que provocaram reações negativas no mercado financeiro, que se manifestou em defesa do Banco Central. Para os críticos, existe uma tentativa de proteção a Vorcaro, com pressões sobre o Banco Central e a PF.
Toffoli assumiu o controle do inquérito em dezembro do ano passado, após a defesa de Vorcaro recorrer ao STF, alegando que a investigação deveria ocorrer na Corte em razão de uma associação a um negócio imobiliário com o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Desde então, decisões como a determinação de acareação entre investigados e um diretor do Banco Central intensificaram as críticas direcionadas a ele.
No despacho que permitiu novas buscas contra Vorcaro e o empresário Nelson Tanure, além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, Toffoli exigiu explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em razão do descumprimento de prazos estabelecidos para a realização da operação. O pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi encaminhado em 6 de janeiro e autorizado no dia seguinte, mas a operação só foi concretizada nesta quarta-feira.
Embora investigadores justifiquem que ações dessa natureza demandam tempo para planejamento, como levantamento de endereços e avaliação de riscos, Toffoli tratou o atraso como um fator decisivo para endurecer sua postura. O ministro determinou que todo o material apreendido deve ser lacrado e mantido sob custódia da PGR, uma medida que integrantes da PF interpretaram como um sinal de desconfiança em relação a possíveis vazamentos.
Para investigadores que preferiram não se identificar, a movimentação do ministro reforça sua autoridade sobre o inquérito e indica que ele detém o controle sobre o nível de pressão exercido sobre Daniel Vorcaro no progresso das investigações.

