O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser convocado para intermediar um impasse político na Bahia que envolve aliados históricos. No cerne da controvérsia está a estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de outubro. O partido defende a formação de uma chapa “puro-sangue”, que incluiria o governador Jerônimo Rodrigues em busca de reeleição, o ministro da Casa Civil Rui Costa como candidato ao Senado e o senador Jaques Wagner tentando renovar seu mandato. As informações foram reveladas pelo colunista Daniel Weterman, do Estadão.
Entretanto, essa proposta enfrenta resistência por parte do Partido Social Democrático (PSD), um aliado do PT no estado. O presidente da sigla na Bahia, o senador Otto Alencar, declarou a Weterman que o PSD permanecerá na base petista, mas alertou para os riscos de uma chapa que não inclua espaço para aliados. Segundo Alencar, tal estratégia pode levar a uma derrota, semelhante ao que ocorreu em 2006, quando Jaques Wagner venceu a eleição ao governo após a desistência do então candidato ACM Neto. “Uma chapa carniça pode trazer problemas”, enfatizou.
Como alternativa para garantir a aliança, o PT ofereceu ao PSD a condição de que o deputado federal Diego Coronel (PSD) fosse nomeado suplente e que ocupasse a vaga de vice na chapa de Jerônimo Rodrigues. No entanto, essa proposta foi prontamente rechaçada por Otto Alencar, que afirmou: “Isso fere o amor próprio dele. Essa proposta não deveria ter sido feita”. Alencar, ex-vice-governador da Bahia na gestão de Jaques Wagner, expressou desapontamento com a iniciativa.
No mês passado, Otto Alencar Filho foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, o que resultou em sua saída do mandato de deputado federal. Nos bastidores, alguns membros do PT avaliam que essa nomeação funcionou como um gesto de aproximação ao comando do PSD baiano. No entanto, Otto Alencar nega qualquer tipo de favorecimento em relação a essa movimentação política.

