Desgastes com Rui Costa e isolamento político motivam saída de Lewandowski

Por Redação
3 Min

A saída de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi resultado de um conjunto de desgastes internos dentro do governo federal, especialmente nas relações com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com a Secretaria de Comunicação Social (Secom). As informações, divulgadas pelo jornal O Globo, indicam que o ex-ministro enfrentava o que considerava ser um “fogo amigo” na Esplanada dos Ministérios.

Lewandowski deixou o cargo frustrado pela falta de avanços em sua principal bandeira: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A incerteza sobre quem assumirá o ministério pode atrasar ainda mais a tramitação da proposta no Congresso Nacional.

Conforme a reportagem, Lewandowski começou a sentir-se incomodado com movimentos internos, especialmente em discussões sobre a criação de uma secretaria extraordinária de segurança pública ligada à Casa Civil, que concentraria as ações do Executivo nesta área. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha aprovado a ideia, Lewandowski interpretou a proposta como uma tentativa de esvaziar o Ministério da Justiça.

No mês de novembro, em uma reunião marcada por tensões, Lewandowski confrontou Rui Costa, questionando se ele teria interesse em assumir a área de segurança pública: “Se quiser a segurança pública, pode ficar para você”, teria afirmado o então ministro, segundo relatos de bastidores.

Interlocutores revelam que Lewandowski se queixava de não se sentir “bem tratado” dentro do governo e de estar isolado nas articulações políticas no Congresso. Esses fatores pesaram em sua decisão de deixar o cargo.

Após sua saída, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), Rui Costa e o titular da Secom, Sidônio Palmeira, começaram a apoiar uma indicação conjunta para o comando da pasta. O nome mais mencionado é o de Wellington Cesar Lima e Silva, que atualmente ocupa o cargo de advogado-geral da Petrobras.

Jaques Wagner é um dos principais defensores da candidatura de Wellington Cesar. Durante seu governo na Bahia, ele foi responsável por indicar o jurista ao comando do Ministério Público estadual. Enquanto isso, Rui Costa e Sidônio Palmeira tentam de maneira mais discreta, nos bastidores, viabilizar a indicação do atual chefe do jurídico da Petrobras para o Ministério da Justiça.

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