A Prefeitura do Recife tomou a decisão de anular a nomeação de Lucas Vieira Silva para o cargo de procurador do município, cujo salário gira em torno de R$ 30 mil, após a onda de repercussão negativa que o caso gerou. A revogação foi formalizada em uma edição extra do Diário Oficial, nesta quarta-feira (31), através de uma portaria assinada pelo prefeito João Campos, do PSB.
Segundo informações divulgadas pelo *Estadão*, Lucas ficou na 63ª posição no concurso realizado em 2022. Três anos após o certame, ele apresentou um laudo médico que diagnosticou Transtorno do Espectro Autista (TEA), solicitando sua inclusão na lista de pessoas com deficiência (PCD). Como resultado dessa solicitação, Lucas foi nomeado para a única vaga destinada a esse grupo, o que gerou a exclusão de outro candidato que já estava classificado e aguardava nomeação. Essa situação levou à apresentação de um recurso por parte do candidato preterido.
O caso ganhou ainda mais notoriedade devido ao fato de que o candidato nomeado é filho da procuradora de contas do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), Maria Nilda Silva, e do juiz Rildo Vieira da Silva, que atua em uma vara responsável por investigar crimes contra a administração pública. Diante da pressão pública e dos questionamentos sobre a legalidade e a ética da nomeação, a Prefeitura optou por cancelar a nomeação de Lucas.
As críticas à escolha da administração municipal não se limitaram apenas à questão do nepotismo, mas também levantaram questões sobre a transparência dos processos de nomeação em concursos públicos. Muitos cidadãos expressaram sua insatisfação nas redes sociais, exigindo maior clareza e equidade nas seleções de cargos públicos. O episódio evidenciou a necessidade de um debate mais amplo sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e sobre a responsabilidade das instituições em garantir processos justos e transparentes.
A revogação da nomeação de Lucas foi recebida com alívio por parte de grupos que defendem a isonomia nas oportunidades de emprego, especialmente em cargos públicos. A ação da Prefeitura de Recife pode ser vista como um passo na direção de reparar a percepção de injustiça que permeava a situação. Essa mudança também sinaliza a importância de se considerar não apenas os laudos médicos, mas também a ordem de classificação dos candidatos em concursos, para preservar a integridade e a justiça dos processos seletivos.
Com essa decisão, a Prefeitura procura restabelecer a confiança da população em seus atos administrativos, ressaltando que a ética e a legalidade devem sempre prevalecer nas ações do governo municipal.
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