Dois deputados federais da Bahia foram responsáveis por votar a favor de uma moção de louvor ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poucas horas antes de o governo americano anunciar uma nova tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Essa medida pode impactar diretamente a economia baiana, que possui setores vulneráveis a tais mudanças.
Os parlamentares José Rocha (União) e Claudio Cajado (PP) estavam entre os 22 membros da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados que aprovaram a proposta, apresentada pelo líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ). A moção expressa “louvor e regozijo” ao ex-presidente, mesmo em meio ao agravamento das tensões comerciais entre os dois países.
A nova taxação representa um risco para setores vitais da economia baiana, especialmente o agronegócio e a indústria de alimentos e bebidas, que mantêm relações comerciais significativas com o mercado norte-americano. A dependência econômica desses setores em relação aos Estados Unidos torna a situação ainda mais delicada, e os efeitos dessa tarifa podem ser sentidos em várias frentes, desde a produção até o consumidor final.
A votação da moção ocorreu no mesmo colegiado que, até o ano passado, era liderado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que estava licenciado do mandato na época. Ele buscava articular alianças com parceiros internacionais do bolsonarismo. O apoio manifestado pelos deputados baianos a Trump levanta questões sobre a posição do Brasil em um cenário internacional em constante mudança e repleto de incertezas.
Apesar da repercussão negativa gerada pela votação, o gesto de apoio a Trump foi mantido com firmeza pelos parlamentares. No ano anterior, a mesma comissão chegou a indicar o ex-presidente norte-americano para receber a Medalha do Mérito Legislativo da Câmara. Agora, em meio ao aumento das tensões, esse ato de reconhecimento pode parecer ainda mais simbólico e, para alguns, contraditório, considerando os impactos potenciais dessa nova política tarifária.
Os efeitos da nova tarifa ainda não são completamente previsíveis, mas as preocupações com a economia baiana são palpáveis. Especialistas alertam que as indústrias locais devem se preparar para enfrentar desafios adicionais, e a reação dos setores econômicos afetados será observada de perto. O futuro das relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos poderá ser moldado por essas decisões, e é fundamental que os representantes políticos considerem as implicações de seus atos para a população que representam.