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“O povo brasileiro não sabe o que é ditadura aqui ainda”, afirma Bolsonaro

Crédito da Foto: Agência Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, conversou nesta última segunda-feira (19/11) por telefone com o primeiro-ministro da Hungria, ViktorOrbán, líder de ultradireita criticado por políticas anti-imigração e discursos antissemitas, e disse que os dois países serão “grandes parceiros para o futuro”.

“A Hungria é um país que sofreu muito com o comunismo no passado. É um povo que sabe o que é ditadura. O povo brasileiro não sabe o que é ditadura aqui ainda, o que é sofrer nas mãos dessas pessoas. E ele está feliz com a nossa eleição”, disse Bolsonaro, em entrevista na porta de sua casa, após voltar de uma agência bancária. O presidente eleito se recusa a dizer que o Brasil foi uma ditadura militar de 1964 a 1985.

Em setembro, o Parlamento Europeu aprovou moção contra Orbán por violações ao Estado de Direito, iniciativa que poderá levar, em última instância, à cassação do direito de voto do país no parlamento.

Na votação, os deputados endossaram relatório da deputada holandesa Judith Sargentini, que listava uma série de iniciativas autoritárias que atentaram contra a liberdade de imprensa, a independência da Justiça, o funcionamento de organizações não governamentais e os direitos de migrantes e refugiados.

Indagado sobre o tema, Bolsonaro fez críticas à política brasileira de imigração, que, na sua opinião, “transformou o Brasil em um país sem fronteiras”. Segundo ele, a Europa está hoje “sofrendo com a imigração desordenada”.

“Não podemos admitir a entrada indiscriminada de quem quer que seja, simplesmente por que querem vir para cá”, comentou, após reforçar ter sido contrário à aprovação da lei de imigração de atual. “Se essa lei continuar em vigor, qualquer um pode entrar aqui. E chega aqui com mais direito de que nós.”

O presidente eleito também falou em cortar o financiamento a organizações não governamentais no Brasil ao ser questionado a respeito de punição a ONGs que fazem campanhas para proteger imigrantes na Hungria.

“Se são não governamentais, por que receber dinheiro do governo? Nós vamos dar um tratamento específico para ONGs no Brasil. Empresa pública não vai financiar ONGs para fazer campanha contra o interesse nacional”. Bolsonaro não deixou claro, porém, que ONGs poderiam ser alvo de corte.

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