Moradores pedem justiça após criança ser baleada em Salvador

Moradores fazem protesto após ação policial no bairro de São Marcos, em Salvador — Foto: Almir Santos / TV Bahia

A criança de 11 anos que foi baleada no bairro de São Marcos, durante uma ação policial em Salvador, na noite de quinta-feira (30), passou por cirurgia e está estável. Nesta sexta-feira (1º), o menino segue internado no Hospital Geral do Estado (HGE) e o policiamento está reforçado no bairro.

Ainda na noite de quinta, moradores fizeram um protesto na comunidade do Coroado e pediram justiça. Além da criança, que foi baleada na virilha, outros dois homens também foram atingidos pelos tiros. Não há detalhes sobre o estado de saúde deles.

Segundo a irmã do menino, no momento em que foi atingido pelo disparo ele fazia um favor para a vizinha, e levava o lixo dela para fora de casa.

“Ele veio jogar o lixo da vizinha, que a vizinha pediu para ele jogar. Os policiais já chegaram aqui atirando e eles simplesmente não podem chegar aqui e fazer isso. Tem muitos moradores que ficam na rua, chegando do trabalho, e tem muitas crianças pequenas”, disse Emily Jesus.

Na manifestação, os moradores pediram justiça e reclamaram da violência policial no bairro. A população afirma que, em toda ação dos policiais militares, os agentes já chegam atirando.

“Meus filhos andam subindo e descendo aqui. Não só os meus, o de todo mundo aqui. A gente é mãe de família e eles [policiais] não respeitam ninguém. Eles chegam aqui soltando bomba, dando tiro. Quem correr, toma bala. Quem ficar, toma do mesmo jeito”.

Durante o protesto, os moradores fecharam a via, colocaram fogo em madeiras e em entulhos, para chamar a atenção das autoridades.

“Nosso protesto não é para queimar ônibus, não é para saquear nada, porque aqui só tem pessoa de bem. É para chamar a atenção, porque aqui só tem pessoa de bem. E eles só chegam aqui atirando”, disse um dos moradores.
Os bombeiros estiveram no local para apagar as chamas e liberar a via. Um ônibus teve vidros quebrados, ninguém ficou ferido. O rodoviário que dirigia o veículo preferiu não informar o que aconteceu.

“A gente quer paz e respeito. É por que a gente mora dentro de uma favela que a gente é vagabundo? Que a gente deve à Justiça? Não. Todos nós aqui somos pobres, a gente mora dentro da favela, nós somos negros, mas a gente quer respeito, porque a gente trabalha honestamente. A gente mora aqui, mas a gente não é bicho”, argumentou outra moradora, identificada como Vanusa.

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