Assassinato de Liderança Quilombola Mobiliza Justiça na Bahia
Entre 2019 e 2024, pelo menos 46 lideranças quilombolas foram assassinadas no Brasil, conforme levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Na Bahia, estado com mais registros, foram contabilizadas 10 mortes no período.
Um dos casos notórios é o da líder quilombola Mãe Bernadete Pacífico, de 72 anos, assassinada em agosto de 2023, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Nesta segunda-feira (13), dois dos cinco denunciados pelo crime serão julgados em júri popular no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
O Maranhão se destaca como o estado com maior número de assassinatos, registrando 22 ocorrências. O relatório indica que aproximadamente 9,8 mil quilombolas estão atualmente em risco de morte no Brasil.
Mãe Bernadete liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares e foi morta após a invasão de homens armados na comunidade, que fizeram familiares reféns e dispararam dentro de sua residência. Importante ressaltar que, seis anos antes, seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, também foi assassinado.
No julgamento de hoje, respondem pelo crime de homicídio qualificado Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, apontado como mandante, e Arielson da Conceição Santos, o “Buzuim”, acusado de participar da execução. Arielson encontra-se preso preventivamente, enquanto Marílio é considerado foragido.
De acordo com a legislação, o júri pode ocorrer mesmo na ausência do réu foragido, desde que ele tenha sido intimado e esteja representado por defesa.
Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o crime está vinculado a conflitos relacionados ao tráfico de drogas na região. A investigação sugere uma possível ligação com o grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM).
Conforme a acusação, a execução foi planejada com divisão de tarefas entre os envolvidos. Os mandantes teriam autorizado o crime, enquanto outros denunciados realizaram a execução e repassaram informações sobre a rotina da vítima.
Após o homicídio, os autores roubaram pertences de testemunhas, incluindo celulares. Outros três denunciados no caso devem ser julgados em etapas posteriores.

