Vereadores da Bahia são detidos por ligação com facções criminosas
Pelo menos seis vereadores de diferentes municípios da Bahia foram presos nos últimos oito meses em operações que investigam ligações com facções criminosas, tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. As informações foram divulgadas pelo jornal A Tarde.
Investigações apontam conexões com grupos como Bonde do Maluco (BDM), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), evidenciando a atuação de redes criminosas com alcance interestadual. As ações são conduzidas de forma integrada pelas polícias Civil, Militar e Federal, além do Ministério Público.
As operações resultaram em prisões, bloqueio de bens, apreensão de armas e documentos. Segundo os órgãos envolvidos, mandatos eletivos foram utilizados para facilitar atividades ilícitas e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
Um dos episódios mais recentes ocorreu na quarta-feira (8), quando foi preso o presidente da Câmara de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD), durante a Operação Vento Norte, no extremo-sul do estado. Ele é investigado por ligação com o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), associado ao Comando Vermelho. Durante a ação, a polícia apreendeu uma pistola calibre .380 em sua residência.
A operação teve desdobramentos em cidades como Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim, cumprindo 12 mandados de prisão e bloqueando R$ 3,8 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Parte das ordens judiciais foi executada dentro do sistema prisional, em diferentes estados.
Outro caso envolve o vereador conhecido como “Nem Nem de Augusto” (MDB), de Cabaceiras do Paraguaçu, que foi preso em Salvador após um período como foragido. Ele é apontado pela Polícia Civil como líder do BDM na região e suspeito de participação em homicídios e tráfico de drogas.
Em outubro de 2025, a Operação Frater Dominus revelou um esquema com atuação na Bahia e em Sergipe, envolvendo tráfico de drogas, armas, homicídios e lavagem de dinheiro. A ação cumpriu 20 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, com movimentação estimada em mais de R$ 20 milhões. Entre os alvos estavam os vereadores George Everton Santana (PCdoB), de Ubaitaba, que foi preso com dinheiro em espécie, e Jeazi Assunção (Avante), de Maraú.
A Operação Anátema identificou um esquema ainda mais amplo, com movimentação estimada em R$ 4,3 bilhões. As investigações revelam uma estrutura dividida em núcleos operacional, financeiro e político, com a participação de agentes públicos como facilitadores das atividades criminosas.
Entre os investigados estão os vereadores Ailton Leal (PT), de Santo Estevão, suspeito de utilizar um posto de combustíveis para lavagem de dinheiro, e Marcão do Pipa (PSB), de Jaguarari, apontado como integrante do núcleo financeiro do esquema. A polícia afirma que a presença de agentes políticos em organizações criminosas indica um nível mais sofisticado de atuação, utilizando estruturas públicas para dar suporte e proteção a atividades ilegais.

