Polícia Civil Prende Suspeito de Ataques a Farmácias em Salvador
A Polícia Civil prendeu, na madrugada deste sábado (29), João Silva, identificado como um dos principais articuladores de uma série de ataques a farmácias em Salvador, focando especialmente no roubo de canetas emagrecedoras. O suspeito foi localizado em um motel no bairro do Costa Azul após uma operação coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), com o apoio da Coordenação de Operações, da Agência de Inteligência e da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR).
De acordo com a Polícia Civil, João Silva coordenava o esquema criminoso, que envolvia a seleção dos alvos e a logística das ações. Ele possuía dois mandados de prisão em aberto por crimes contra o patrimônio e acumulava antecedentes por estelionato, porte ilegal de arma, tráfico de drogas e roubo. As equipes da polícia permanecem em busca de outros envolvidos nos ataques, que geralmente são realizados por criminosos em motocicletas para facilitar a fuga.
A prisão de João Silva ocorre em meio a um aumento significativo nas ocorrências de roubos a drogarias na capital. Entre janeiro e setembro de 2023, foram registrados 209 casos, conforme a Polícia Civil. O Sindicato dos Farmacêuticos da Bahia (Sindifarma) registrou 22 ocorrências somente em novembro, sendo seis delas somente no último fim de semana (22 e 23).
A resposta policial se intensificou após um incidente na Pituba, na segunda-feira (24), onde dois suspeitos foram detidos após invadirem farmácias em busca de canetas emagrecedoras, trocarem tiros com policiais e manterem funcionários como reféns. No dia seguinte, a Polícia Civil lançou a Operação Apotheke, com foco na desarticulação de um grupo especializado em roubos a drogarias em Salvador e na Região Metropolitana. Mais de dez integrantes desse grupo já foram identificados. A operação também visa apreender armas, drogas e materiais utilizados nas investidas.
O diretor do Sindifarma, Gibran Sousa, destacou que o aumento dos crimes está relacionado às novas regras de venda das canetas emagrecedoras, que agora exigem retenção de receita. “Até pouco tempo, a venda era livre. Com a exigência de receita controlada, quem busca esses medicamentos acaba recorrendo à ilegalidade”, afirmou. Ele ressaltou ainda o alto valor do produto como um atrativo para o crime: “Se você rouba 20 canetas, leva R$ 20 mil. É um produto muito lucrativo para o crime.”
Dados da Receita Federal mostram um aumento no interesse pelo mercado ilegal. Em 2024, foram retidas 67 unidades das canetas no Aeroporto de Salvador, e em 2025, até outubro, o número subiu para 385. Além disso, o roubo de cargas de medicamentos no Brasil causou prejuízo de R$ 283 milhões no ano passado, segundo relatório da Abradimex, que agrega distribuidores de medicamentos especializados.

