Policiais do Batalhão de Choque são presos por suspeitas de crimes em megaoperação
Cinco policiais militares do Batalhão de Choque foram presos pela Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (28). Os agentes são suspeitos de cometer crimes durante uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em 121 mortes. No total, dez PMs da unidade estão sendo investigados, e 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
A Polícia Militar informou que as prisões são fruto da análise das imagens das câmeras corporais utilizadas na ação, considerada a mais letal da história do estado. A 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) é a responsável pela investigação.
Em nota, a corporação reiterou que não tolera desvios de conduta. “O comando da corporação afirma que não compactua com possíveis desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos quando os fatos forem constatados”, destacou o comunicado.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC), sob a presidência da deputada Dani Monteiro, acompanha o caso. O órgão afirmou que o material analisado pelas câmeras corporais confirma denúncias feitas desde o dia da operação.
Segundo a Comissão, um dos crimes investigados envolve o furto de um fuzil, supostamente destinado à revenda para traficantes. “Os indícios mostrados pelas câmeras corporais, incluindo o furto de um fuzil possivelmente destinado à revenda para criminosos, apenas confirmam alertas feitos pela CDDHC desde aquela manhã sangrenta”, declarou a nota.
Câmeras desligadas
A CDDHC também ressaltou que mais da metade das câmeras corporais utilizadas pelas equipes estavam inoperantes no dia da ação, criando “lacunas graves de transparência” e dificultando o controle externo das ações policiais.
A megaoperação, deflagrada contra o Comando Vermelho, gerou repercussão nacional e internacional. Com os novos desdobramentos, as autoridades investigam não apenas excessos operacionais, mas também possíveis crimes cometidos por agentes do Estado durante a ação.

