SAO JOAO
SAO JOAO

Um país esportivo que “mata e morre” sem querer saber por quê

Por Redação
5 Min

O pensamento no Brasil esportivo vive de episódios tristes, mas isolados, para explicar derrotas ou fracassos, principalmente nos gramados.

Barbosa foi crucificado por toda a vida quando perdemos de virada para o Uruguai a Copa de 1950, no Maracanã, como se fosse o único culpado sendo isentados os outros jogadores que entraram em campo e os dirigentes que fizeram festa na véspera e esqueceram-se de avisar à Seleção Celeste.

Agora, vemos os 7 a 1 aplicados pela Alemanha na Copa de 2014, também no Brasil, como resposta a todos os erros praticados por dirigentes de clubes, federações, confederação e a própria imprensa.

Os dirigentes são amadores para o esporte, e espertos quando se trata de perpetuação e enriquecimento no poder.

A manutenção de um treinador depende as vezes de 3 ou 2 resultados numa mesma semana. De um dirigente, apenas de como ele consegue pressionar e interferir nos clubes, no Congresso e na imprensa.

Os clubes são submissos a tal ponto de dispensar um empregado por causa da ação de um dirigente de uma entidade. Os congressistas recebem apoio nas eleições e aí a “bancada da bola” não deixa reformar a legislação como deve ser. A imprensa recebe “apoio” comercial e, ainda dizem o por fora, como jabá, para encobrir erros crassos, como a queda do futebol baiano nos últimos 12 anos quando saímos da 6ª posição no ranking da CBF para a 9ª colocação, e o presidente da FBF é chamado de “grande presidente”, “eterno presidente”. Vimos Bahia e Vitória na 3ª Divisão, mas a culpa não é de nenhuma entidade que organiza o futebol. Ainda processa radialistas e jornalistas e alguns da classe o defendem. Sequer divulgam os processos que ajuizou ou responde. Assim que deixar a FBF deve ser, como outros, colocados no “ostracismo”..

Para que uma federação, a CBF ou a Embasa precisam de divulgação?

A FBF e a CBF não tem torcida nem vendem nada. A Embasa é monopólio.

Aliado a isso, o mundo desenvolvido – a Europa –, passou a investir no futebol sul-americano, leva quase todos os grandes jogadores ou as promessas e raspa literalmente Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, ou seja, onde surja um bom jogador.

Não dá para ignorar tantos desmandos nas direções das entidades responsáveis pelo nosso futebol e de raspão nos demais esportes.

Pensam apenas em encher os cofres para determinar polpudos salários, diárias, vantagens que a maioria não teria em atividades na área privada.

Quase todos saem ricos, embora respondam a processo. Ser suspeito no Brasil é como um título de “Doutor Honoris Causa”. Permite novos convites para alguns.

Então, não é somente a desorganização nas direções, mas a evasão de jogadores, a imprensa que caiu muito de qualidade e uma inversão de avaliação da torcida que exige que um time do Nordeste com orçamento 75% inferior aos grandes clubes brasileiros seja Campeão brasileiro.

A realidade é que estamos hoje no nível que devemos.

Imagine se Steve Jobs (já falecido) e Bill Gates fundassem uma nova empresa de TI e levasse Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes, fundadores do facebook. Sobraria alguma coisa no mercado para as concorrentes?

E essa mudança vai demorar, pelo menos, uma geração, senão duas.

O futebol virou comércio, negócio, onde todo mundo quer dinheiro e o rio corre pro mar. O romantismo está apenas na paixão do torcedor. Dirigentes, empresários de jogadores, jogadores e imprensa pensam apenas em ganhar muito dinheiro no Brasil.

 

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Por Yancey Cerqueira

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