Após caso na Argentina, especialistas alertam para a possibilidade da chegada da Varíola do macaco no Brasil

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Legenda da foto,
Grã-Bretanha, Portugal, Espanha, Estados Unidos e Canadá estão entre os países com casos suspeitos ou já identificados

O Ministério da Saúde da Argentina investiga seu primeiro caso suspeito de varíola dos macacos no país, segundo um comunicado divulgado pelo governo neste domingo (22).

Por meio de nota, a autoridade governamental disse que um morador da província de Buenos Aires entrou em contato com o serviço de saúde com sintomas “compatíveis com o da varíola do macaco”. O paciente apresentou pequenas feridas em distintas partes do corpo e febre. A pessoa infectada acabou de retornar de viagem à Espanha, onde ocorreu um pequeno surto da doença.

Após o caso no país vizinho, especialistas alertam para a possibilidade da chegada do vírus em território brasileiro. De acordo com o infectologista Adriano Oliveira, a situação requer atenção:

“Considerando que não sabemos como essa doença está conseguindo se espalhar em tantos países, toda vigilância é necessária sim. Devemos, enquanto autoridades e serviços de saúde ficar atentos para casos que possam ser suspeitos.”

Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) afirma que não há casos suspeitos e deu orientações de como os baianos residentes ou viajantes para países com registros podem escapar do contágio, lembrando que essa é uma doença, geralmente, autolimitada:

“Devem evitar o contato com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus da varíola do macaco (roedores, marsupiais e primatas); abster-se de comer ou manusear caça selvagem; higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel; evitar a exposição ao vírus e evitar contato com pessoas infectadas; além de não usar objetos de pessoas contaminadas e com lesões na pele”, respondeu a Sesab, em nota.

O Ministério da Saúde (MS) acompanha o caso suspeito de um brasileiro que está na Alemanha.n o órgão solicitou maiores informações à Organização Mundial da Saúde (OMS) e enfatizou a não letalidade da doença.

Brasil em atenção

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) informa que constituiu, em caráter consultivo, na quinta-feira (19), uma Câmara Técnica Temporária de pesquisa denominada CâmaraPox MCTI, no âmbito da RedeVírus MCTI, para acompanhar os desdobramentos científicos sobre o vírus monkeypox, conhecido como “varíola dos macacos’.

A medida de vigilância científica, por meio da consulta aos especialistas, faz-se necessária diante dos casos de infecção registrados no Reino Unido, Portugal, Espanha e Estados Unidos em maio de 2022. Importante registar que, até o momento, não há registros de casos varíola dos macacos no Brasil.

“Ressalta-se que não temos nenhum caso registrado desta doença no Brasil. Estamos vigilantes, no âmbito da pesquisa científica, acompanhando os casos em outros países, e para isso contamos com o assessoramento desse grupo de especialistas. Estamos nos antecipando, sob o aspecto de ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação, a uma possibilidade de chegada do vírus em nosso país”, explicou o secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales.

Vacina

Historicamente, a vacinação contra a varíola comum mostrou ser protetora contra a varíola dos macacos. Embora uma vacina (MVA-BN) e um tratamento específico (tecovirimat) tenham sido aprovados para a varíola, em 2019 e 2022, respectivamente, essas contramedidas ainda não estão amplamente disponíveis e populações em todo o mundo com idade inferior a 40 ou 50 anos não tomam mais a vacina, cuja proteção era oferecida por programas anteriores de vacinação contra a varíola, porque estas campanhas foram descontinuadas. No Reino Unido, a vacina contra varíola está sendo oferecida às pessoas de maior risco.

O infectologista Adriano Oliveira pondera: “Considerando que, em dados do passado, a tradicional vacina contra a varíola dá uma proteção de cerca de 85% para a varíola dos macacos e, considerando que essa vacina fornece uma proteção vitalícia, possivelmente os vacinados do passado estão razoavelmente protegidos. Porém, considerando que essa doença vem com um comportament incerto, não sabemos se essa proteção de fato acontece.”

Sem tratamento

Não há tratamento para a varíola do macaco, mas seus sintomas geralmente desaparecem dentro de duas a três semanas. O mais característico são as erupções cutâneas na face, nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Os infectados também podem ser acometidos por febre, dores de cabeça e musculares, linfonodos inchados, calafrios e fadiga.

O que é a varíola do macaco?

A varíola do macaco é causada por um orthopoxvirus. É uma doença rara, transmissível por contato com animais e pessoas infectadas ou materiais contaminados. O vírus foi detectado pela primeira vez na República Democrática do Congo, em 1970, e se multiplicou em países da África Ocidental e Central.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e erupções cutâneas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

De acordo com autoridades de saúde espanholas, a doença não é particularmente infecciosa entre as pessoas, e a maioria dos infectados recupera-se em algumas semanas, embora casos graves tenham sido relatados.

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