Argentinas festejam aborto legal em “carnaval verde” na Praça do Congresso

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Mulheres comemoram a aprovação da lei que possibilita o aborto na Argentina, até a 14ª semana da gestação.
Imagem: Getty Images

Nem a pandemia foi capaz de desencorajar a multidão feminina que compareceu à Praça do Congresso, em Buenos Aires, na madrugada histórica desta quarta-feira, 30. As mulheres seguiram de perto a votação do projeto de legalização do aborto, aprovado pelo Senado com 38 votos a favor, 29 contra e 1 abstenção, por volta das 4h.

A comemoração foi digna de final de Copa do Mundo. Argentinas de todas as idades compunham o “carnaval verde”, caracterizado pela adesão dos lenços nesta cor, que passaram a ser usados em marchas feministas em todo o país. Entre as componentes da maré esverdeada estava a estudante Rócio, de 18 anos, que foi à praça acompanhada pela mãe e pela irmã de 12 anos.

Na comemoração pós-aprovação, as amigas Magdalena e Lucila estavam grafitando o símbolo da campanha pelo aborto e falaram à Universa entre lágrimas. A grafiteira Lucila contou que sua mãe a teve aos 20 anos e que ela sabe o quão duro foi ter que criá-la sozinha. Resumiu sua motivação de estar ali para garantir que outras mulheres tenham o direito de decidir o que a mãe não pode.


O que pensa a opinião pública

O aborto só era legalizado na Argentina em caso de ser fruto de um estupro ou risco de morte do feto ou da gestante. Por isso, os números sobre quantos procedimentos clandestinos são realizados no país não são oficiais e, portanto, pouco precisos. Estima-se que se realizavam entre 371 e 522 mil abortos induzidos anualmente, segundo as demográficas Edith Pantelides e Silvia Mario.

De acordo com os dados do Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) e da Red de Acceso al Aborto Seguro de Argentina (REDAAS), quase 60% das pessoas que abortaram em 2018 tinham entre 20 e 29 anos, cerca de 60% já era mãe.

Uma sondagem realizada em novembro pela consultora Poliarquia, teve como resultado 41% dos ouvidos favoráveis à legalização, 48% disseram que se opõem e 11% preferiram não opinar. Já o Instituto CELAG obteve uma mostra de 55% de pessoas favoráveis ao aborto legal, 39% contrários e 6% sem posicionamento firme, em um pesquisa também realizada em novembro.

Universo

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