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11 de setembro: o que mudou e que lições aprendemos após 18 anos

World Trade Center: queda das torres liberou no ar quantidades inéditas de produtos químicos, entre eles dioxinas, amianto e outras substâncias cancerígenas (AFP/AFP)

Os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, patrocinados pela rede Al-Queda, de Osama Bin Laden, desencadearam uma série de outros eventos críticos que deram início à chamada década do terror, período de grandes tensões internacionais e insegurança permanente com os atentados que se seguiram. Bali (2002), a sede da ONU no Iraque (2003) — que vitimou o diplomata brasileiro Sergio Vieira de Melo — e nos metros de Madri (2004) e Londres (2005) — este último, resultando na morte do brasileiro, Jean Charles de Menezes, confundido pela polícia como terrorista. Observamos ainda, em decorrência do 11 de setembro, a invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos (2001) e do Iraque pelas tropas de coalizão (2003), com o objetivo de desmantelar a Al-Qaeda.

Seguindo esta sinistra cronologia, a rede manteve suas ações em larga escala com a explosão de um trem em Nova Délhi e um atentado suicida em Karaschi (2007), a explosão no Hotel Marriot, em Islamabad, e uma série de atentados simultâneos na área urbana de Mumbai, (2008), seguidos pela explosão em um metrô em Moscou (2010).

Inegavelmente, iniciamos o novo século com insegurança e medo, e essas percepções estão sendo demasiadamente longas. O mundo havia se tornado mais violento, com o fim do sonho das fronteiras abertas, do multiculturalismo e de uma paz duradoura, acalentado após o término da Guerra Fria. Essa mudança ocorreria, em grande medida, com o surgimento de uma nova e letal ameaça trazida pelo radicalismo ou extremismo islâmico e seu conceito de jihad global, perpetuando ações de extrema violência, indiscriminadas e revestidas do caráter de imprevisibilidade.

Acreditava-se que com a captura de seu líder maior e a neutralização das principais lideranças, somadas ao uso de tecnologias cibernéticas, criação de novas legislações mais rígidas de contraterrorismo e monitoramento e vigilância massiva das comunicações online dos cidadãos, estaríamos mais seguros contra a voracidade da Al-Qaeda, outro desejo que não se concretizou. A contrário sensu, ela se fragmentou, dando lugar a outro grupo, denominado Estado Islâmico, ainda mais violento e com potencial midiático e econômico para recrutar simpatizantes, incluindo ocidentais, atuando em qualquer parte, mesmo às vistas das forças de defesa e segurança.

Diante desse contexto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, reconheceu por meio da Resolução nº 2.178, de 24 de setembro de 2014, que o terrorismo internacional não poderia ser vencido, exclusivamente, com o emprego da força bélica, sugerindo a seus Estados-Membros o fortalecimento das medidas de segurança interna.

Como consequência, a segurança foi a área que mais obteve incrementos para a modernização tecnológica, seguidos da multiplicação de agências de inteligência locais e internacionais. Novos mecanismos foram criados, outros tantos aperfeiçoados, na tentativa de prevenir — ou, na pior das hipóteses, minimizar — os riscos e efeitos colaterais causados por um novo atentado das proporções do 11 de setembro. Deu-se início a medidas de maior controle e vigilância em portos e aeroportos, especialmente no que diz respeito ao controle de entrada e saída de turistas, monitoramento da web, maior rigidez nas normas que regulam o processo de imigração e outras medidas de caráter preventivo. Tais medidas, ainda são objeto de contestação por defensores de direitos humanos, pois, segundo estes, impactaram na privacidade e na redução dos direitos e garantias individuais dos cidadãos.

De todo modo, o Estado Islâmico daria continuidade a mais uma década do terror, uma vez que, entre os anos de 2015 e 2018, foi responsável por uma série de atentados na Alemanha, Bélgica, Espanha, França e no Reino Unido, com destaque para os atentados à revista Charlie Hebdo e em casas noturnas de Paris, além dos atropelamentos coletivos em cidades como Nice, Berlim, Barcelona e Londres. Impressiona o fato de que, após gastos na ordem de trilhões de dólares e com a adoção de todas as medidas acima citadas, não se obteve êxito em prever estes ataques, realizados com baixíssimo custo, basicamente, com meios de fortuna.

Em 2019, em razão dos fracassos sucessivos e perdas humanas e de poder econômico no conflito da Síria, poderíamos ficar propensos a concluir que o grupo terrorista Estado Islâmico estaria em sua fase terminal. Todavia, a exemplo do que ocorreu com a Al-Qaeda, sua ideologia permanece na consciência de milhares de radicalizados que aguardam nova oportunidade. Os efeitos nefastos do radicalismo ideológico, em quaisquer de suas manifestações, é a principal lição apreendida com o 11 de setembro.

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