Baiano Keno Marley enfrenta cubano valendo o topo do pódio

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Keno é o único brasileiro entre os finalistas no Mundial de Boxe | Foto: Divulgação | AIBA – Foto: Divulgação | AIBA

 

A confiança era tanta que ainda em combate Keno Marley, baiano de 21 anos, já comemorava. Ele sabia que, pelo seu desempenho, seria decretado vencedor da luta com o belga Victor Schelstraete. Assim foi, e de forma unânime para os juízes, como todas as lutas do baiano até aqui no Mundial de boxe masculino, disputado em Belgrado, na Sérvia.

Com o resultado, Keno garantiu no mínimo a prata, e já volta ao ringue nesta sexta, na sessão das 9h, em busca de mudar a cor da medalha. Seu adversário será Alfonso Dominguez, nascido em Cuba, mas representando o Azerbaijão. Dominguez foi medalhista de bronze na Olimpíada de Tóquio e de ouro nos Jogos Europeus, em 2019, na categoria até 81kg (peso meio-pesado). No Mundial, superou seus dois primeiros adversários de forma unânime, mas depois encontrou mais resistência, com dois resultados divididos por 4 a 1.

“Espero que sejamos os favoritos (risos). Vai ser uma luta difícil. O atleta do Azerbaijão é muito ‘liso’, mesmas características do Keno: um atleta que se move muito bem. Estamos trabalhando para neutralizar essa movimentação dele, que é muito forte”, explicou o técnico de Keno, Amônio Silva, evitando falar em favoritismo, e completou: “Ele representa o Azerbaijão, mas é cubano, né? Todo mundo sabe que isso tem um peso”.

Na sua semifinal, Alfonso Domínguez demonstrou, além da boa técnica de movimentação descrita por Amônio, uma ‘malandragem’. Para passar pelo cubano Herich Ruiz Córdoba e garantir a vaga na final, ele utilizou de uma estratégia curiosa. Percebeu a insegurança da arbitragem e agarrou demasiadamente o adversário, infringindo as regras. O árbitro não sinalizou, e Alfonso seguiu com o método para evitar sequências de golpes do rival.

Na base do talento

Keno Marley também tem seus trunfos. Não por acaso se tornou apenas o terceiro brasileiro a chegar na final do Mundial de boxe masculino. Antes dele, os baianos Everton Lopes, em 2011, e Robson Conceição, em 2013, conseguiram o feito, mas apenas o primeiro voltou pra casa com a dourada no peito. No entanto, Robson compensou três anos mais tarde, ao conquistar o ouro na Olimpíada do Rio.

No currículo de Keno já consta o topo do pódio Jogos Olímpicos da Juventude de 2018, em Buenos Aires, na Argentina, e a prata no Pan-americano de 2019, em Lima, no Peru. Além disso, o baiano representou o Brasil na Olimpíada de Tóquio na mesma categoria que seu adversário desta sexta. No entanto, Keno voltou pra casa de mãos vazias, ao ser eliminado pelo britânico Benjamin Whittaker – que ficou com a prata -, faltando uma luta para garantir uma medalha.

Seu treinador valorizou, além de outras características do atleta, esse currículo tão notável. “Keno é mais explosivo, tem mais volume de golpes. Estamos bastante confiantes na vitória dele por todo o desempenho mostrado ao longo do Mundial. A gente tá bem preparado, não paramos de treinar durante a pandemia. E, como eu sempre digo, Keno é um atleta acima da média. Apesar da idade, tem um currículo invejável”.

A luta desta quinta, que lhe deu a vaga na final, é um resumo de um pouco de tudo isso. Contra o belga, Keno começou com algumas dificuldades no primeiro round, que estava indefinido até o minuto final, quando os golpes do brasileiro encaixaram melhor. Demonstrando sua já alta experiência, manteve a calma e ajustou o combate para o round seguinte. A partir daí demonstrou a boa movimentação e precisão nos golpes, pelos quais é conhecido.

“Quando vimos a vitória por todos os árbitro no segundo round mudamos um pouco a estratégia. Optamos por buscar também o combate curto e mostrar pro público e pro mundo do boxe que ele tem qualidade de jogar na curta distância também”, descreveu Amônio, que também detalhou o planejamento inicial, “A luta de hoje (quinta) a gente tinha criado a estratégia de não andar pra frente. Esperar o belga e pegar no contra-ataque. Deu certo”.

Entre os dez atletas da delegação nacional, Keno é o que chegou mais longe na competição. Na estreia, o baiano já havia brilhado ao desbancar o cazaque Bek Nurmaganbet, campeão asiático de 2019 – e considerado por Amônio o adversário mais difícil para Marley garantir uma medalha. A medalha já está no bolso, resta saber a cor.

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