Palmeiras, Bahia e Red Bull Bragantino formularam uma proposta que visa destinar 3% do contrato da Libra com a Globo aos clubes da Série C. Essa proposta, se aceita, beneficiaria times como Paysandu, ABC, Sampaio Corrêa, Guarani e Volta Redonda. As informações foram divulgadas pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL.
A medida surge em um contexto de crise interna dentro da Libra, conseguindo potencialmente desmobilizar a assembleia marcada por Flamengo, Grêmio e Remo para a próxima quarta-feira, a ser realizada na sede do clube carioca, localizada na Gávea.
Desde o ano passado, as divisões entre os clubes se intensificaram, especialmente em relação aos critérios de distribuição das receitas de transmissão. O Flamengo, por exemplo, defende uma fatia maior com base na audiência, uma proposta que não agradou outros clubes, como o Palmeiras.
A situação se complicou ao chegar à arbitragem, após tentativas infrutíferas de se buscar um consenso. Simultaneamente, a discussão sobre o destino dos 3% do contrato, que inicialmente seriam destinados à Série B, tomou um novo rumo, agora englobando clubes da Série C.
Nos bastidores, dirigentes do Flamengo mencionam que houve uma proposta para alocar parte desse percentual ao clube, a fim de resolver a disputa judicial. No entanto, representantes da Libra negaram tal oferta. A proposta teria sido feita por Silvio Mattos ao representante rubro-negro Marcelo Campos Pinto, mas não avançou.
Em resposta a essa contestação, o grupo liderado por Palmeiras, Bahia e Bragantino apresentou uma proposta alternativa que prevê o repasse integral dos 3% aos clubes da Série C, buscando assim um consenso entre as partes envolvidas.
Além disso, a disputa também abrange questões relacionadas à governança da entidade. O Flamengo e seus aliados afirmam que a Libra carece de uma direção institucional desde o término do mandato, ocorrido em fevereiro. Enquanto isso, o grupo opositor contrargumenta, mencionando a prorrogação do mandato por 60 dias, mantendo André Rocha e Raul Aguirre em suas posições.
Outros clubes, como Atlético-MG, Santos e São Paulo, ainda não se manifestaram de forma clara, mantendo diálogo com ambos os lados da disputa.
A crise interna da Libra se agrava em um cenário de perdas estimadas em cerca de 10% no contrato de transmissão, após a Globo rejeitar os reajustes solicitados pelos clubes. Este contexto não apenas amplia a disputa política e financeira dentro da Libra, mas também coloca em dúvida a estabilidade do bloco a curto prazo.

