Maycol Douglas
A primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, sob a liderança do presidente Gianni Infantino, se destaca como um verdadeiro sucesso, especialmente no Brasil. Como muitos afirmaram ao longo do torneio: “vimos confrontos que antes só eram possíveis no vídeo-game”.
Entre os encontros memoráveis, destacam-se PSG contra Botafogo, Fluminense versus Borussia Dortmund, Inter de Milão enfrentando o Palmeiras, e Flamengo contra o Bayern de Munique. Agora, com a final agendada entre Chelsea e PSG neste sábado, dia 12, é o momento ideal para realizar uma análise abrangente sobre esta competição mundial.
De maneira geral, o torneio conquistou o coração dos verdadeiros amantes do futebol. Contudo, o local onde os jogos ocorreram deixou a desejar. Os Estados Unidos se tornaram o primeiro país-sede dessa edição histórica, que revolucionará o maior esporte do planeta, mas não de forma positiva.
A decisão de escolher os Estados Unidos como sede foi anunciada em junho de 2023, dois anos antes do torneio, com um claro objetivo comercial voltado para a Copa do Mundo de seleções do próximo ano, que também envolverá o Canadá e o México.
Na teoria, tratou-se de um esforço para impulsionar o futebol em uma nação onde outros esportes predominam. Na prática, presenciamos alguns momentos de notável fracasso. A partida entre Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e Mamelodi Sundowns, da África do Sul, contou com uma presença de apenas 3.412 pessoas — o menor público do torneio.
Se essa competição tivesse ocorrido no Brasil ou em qualquer outro país apaixonado por futebol, essa partida certamente veria um público muito mais expressivo, talvez até o estádio cheio. Mesmo sendo um confronto “aleatório” entre sul-coreanos e sul-africanos, a expectativa de vivenciar algo inédito seria um grande atrativo.
Além disso, três partidas apresentaram públicos inferiores a 10 mil torcedores: Pachuca 1 x 2 Salzburg (5.282), Benfica 6 x 0 Auckland (6.730) e Dortmund 1 x 0 Ulsan (8.239). Também é necessário mencionar as repetidas interrupções dos jogos devido a temporais, com algumas partidas sendo retomadas apenas após horas.
A segurança sempre deve ser priorizada, e no futebol não é diferente. No entanto, no Mundial, a sensação era de que a FIFA poderia ter adotado medidas mais eficazes para lidar com as tempestades que atingiram os estádios nos Estados Unidos.
As interrupções geraram críticas de torcedores, treinadores e jogadores. Além do péssimo as emoções vividas nas arquibancadas, os jogadores perdiam seu ritmo de jogo. A Copa do Mundo de Clubes foi uma ousadia bem-sucedida de Infantino, mas a escolha do local das partidas foi uma decepção. Contudo, fica a lição para futuras edições.