Passagem de Mano Brown na Barra/Ondina causa comoção

Multidão cantou junto com ele letras inteiras de clássicos dos Racionais MCs

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Edgar Azevedo/Divulgação

O trio Afropunk se aproximava do Morro do Cristo quando ele subiu para fazer sua estréia no Carnaval de Salvador. Maior nome do rap nacional, Mano Brown tomou o microfone das mãos do vocalista da banda baiana Afrocidade, que comandava o trio, e causou comoção entre os fãs no Circuito Barra / Ondina na noite de sábado (22), que teve também a participação de integrantes do BaianaSystem.

Empolgada com a presença da lenda viva paulista em pleno Carnaval de Salvador, a multidão cantou junto com ele letras inteiras de clássicos dos Racionais MCs. Houve até quem chorasse. Muito à vontade, Brown soltou sua voz cheia de potência, que parecia feita para cantar na invenção de Dodô e Osmar.

“É muita emoção, mano! Ver o cara assim de perto cantando no nosso Carnaval é uma benção”, disse o representante comercial Fábio Castro, 35 anos. “O rap é tudo e o Carnaval aceita tudo. Precisamos de mais rap no Carnaval”, pediu o estudante Rodrigo Oliveira, 25 anos.

De cara, Brown largou logo Diário de Um Detento, uma das mais celebradas faixas do disco Sobrevivendo no Inferno. O rapper paulista não fez discursos, mas soltou pequenas ideias sobre o que achava de Salvador. “Onde o Brasil é mais Brasil! Salvador, Bahia! É uma honra estar aqui!”, disse o tempo todo, uma delas quando homenageava o baiano Carlos Marighella com a música Mil Faces de um Homem Leal.  “Da Bahia de São Salvador Brasil, Capoeira mata um mata mil (…) A postos para o seu general. A postos para um homem leal”.

Russo
Antes de Mano Brown, na altura do Hotel Marcos, o vocalista do BaianaSystem, Russo Passapusso, já havia assumido o trio Afropunk, junto com o guitarrista Roberto Barreto. “Vamos botar fogo na pista”, conclamou Russo. E botou mesmo! Obviamente, se sentiram muito à vontade, já que além da atmosfera carregada de identidade e ativismo negros, eles estavam na verdade à bordo do Navio Pirada, trio do próprio Baiana, travestido de Afropunk.

Camaçari 
Reconhecida como uma das boas novidades da música negra baiana, a Afrocidade fez sua estreia no Carnaval e  Mano Brown com os caras do Baiana.

“Temos que entender tudo isso como um grande movimento, como uma família. Receber esses caras tão importantes e ainda ser embasado pelo Afropunk, que tem origem lá no Brooklin, nos EUA, é incrível. As causas negras são as mesmas, seja lá onde for”, afirmou ao CORREIO José Macedo, vocalista do Afrocidade.

No som, uma fusão entre a poesia de resistência, ritmos populares baianos como arrocha e pagode, e sons universais do dub, reggae e afrobeat. “Quando está unida, a nossa pele preta é muito mais forte. Vamo que vamo! Afrocidade, Baiana System e Mano Brown”, chamou a galera, enquanto cantava Swinga. O trio ainda recebeu as participações de Cronista do Morro e do cantor do bloco afro Muzenza, Afro Jhow.

Festival
O Afropunk é um movimento que nasceu nos EUA e dá nome ao maior festival de cultura negra do mundo. Uma parceria com a BaianaSystem permitiu a vinda para o Carnaval de Salvador e a participação de Mano Brown, uma forma de chamar a atenção para o Festival AFROPUNK Bahia: a primeira edição do festival em toda a América Latina – ele já acontece em Paris, Londres, Atlanta e Joanesburgo, além do Brooklyn, onde teve início, em 2005. A edição baiana será realizada em novembro, dias 28 e 29.

“Esse festival alerta na diversidade, na importância da cultura dos pretos. A gente se vê por fora, por um [evento] internacional. Essa relação é onde mais amarra e traz autoestima, empoderamento para cada movimento local. Isso é o grande barato dessa junção, além de dar visibilidade internacional inegável para nosso Carnaval, para nosso novo comportamento”, disse Russo ao CORREIO, em entrevista um dia antes da apresentação desse sábado.

DO CORREIO

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