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Realidade virtual já impacta diversos mercados e abre caminho para novas perspectivas

Tecnologia da realidade virtual já é realidade em muitos setores | Foto: Olabi Makerspace

A realidade virtual (RV) ganhou muita ênfase na atual década e atualmente é um dos assuntos tecnológicos mais discutidos entre entusiastas e profissionais da tecnologia.
A RV procura criar um ambiente ou uma imagem tridimensional. Dessa maneira, com ou sem interação, as pessoas ficam imersas e têm vários sentidos, como visão, audição, tato e até mesmo olfato, simulados em um ambiente artificial.
Apesar dos primórdios da RV datarem da década de 1920 com os clássicos óculos estereoscópicos que utilizavam cartões 3D de lugares turísticos, a realidade virtual começou a ganhar notoriedade através do seu uso em projetos da NASA a partir dos anos 1980.
Nos últimos anos, a RV passou de vez de um conceito de ficção científica restrito a poucas empresas para um amplo mercado de consumo com um potencial praticamente ilimitado.

Óculos de Realidade Virtual sendo utilizado em um congresso da Samsung| Foto:Maurizio Pesce

Com o desenvolvimento da tecnologia virtual e maior aceitação do mercado, ela está sendo inserida em diversos setores da indústria. Além de já ser aplicada nos cinemas e videogames há alguns anos, a RV também avança em outras direções, como avaliações do comportamento motor humano, treinamento de cirurgiões e simulações esportivas.

RV no tratamento motor humano

Na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, há um equipamento denominado Stable. De origem holandesa, o moderno aparelho auxilia no estudo de diversos movimentos do corpo.

Sob uma plataforma sensível, uma pessoa fica cercada por três telas (uma à sua frente e duas nas laterais para proporcionar um ângulo de 180º) em um ambiente de realidade virtual semi-imersivo que não requer a presença de óculos. Além disso, seis câmeras são distribuídas estrategicamente para captar os movimentos.

Para coletar o maior número de dados possíveis, o indivíduo é colocado em distintas situações de interação. Em uma delas, a pessoa simula um automóvel na via e é estimulada a desviar de outros veículos. Para realizar essa tarefa, ela faz o uso do peso para frente como aceleração enquanto o balanço do corpo é utilizado para replicar um volante.

Todos as situações são coordenadas por profissionais altamente capacitados que interpretam e identificam a necessidade de aumentar ou diminuir o nível de desafio das simulações. Vale citar que o ambiente é muito seguro e preparado para receber todas as pessoas, independentemente do gênero ou faixa etária.

O uso desse equipamento permite identificar o nível de reflexo, o tempo de reação, a capacidade motora e tirar diversas outras conclusões sobre a pessoa que é submetida aos testes.

Importância da RV no treinamento de cirurgiões

Os cirurgiões podem treinar com ferramentas e pacientes virtuais para progredir suas habilidades e levá-las à sala de cirurgia. A prática aparenta ser muito eficiente e estudos já mostraram que ela pode diminuir o tempo de treinamento do profissional em operações de risco.

Como a realidade virtual auxilia muito na visualização espacial, os alunos de medicina, após as aulas teóricas, conseguem colocar em prática tudo que aprenderam em um corpo humano virtual de forma mais efetiva.

Desde 2014, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC), em parceria com Johnson & Johnson Institute (JJI), já treinou mais de 3.5 mil pessoas (estudantes e profissionais) em realidade virtual.

Em setembro de 2018, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) renovou a parceria com o JJI por mais cinco anos, o que é muito importante para o avanço da medicina na região.

“Essa parceria vitoriosa nos permite treinar e qualificar ainda mais os nossos médicos em procedimentos cirúrgicos com técnicas de simulação, além de contribuir para a formação e aprendizado de nossos estudantes de Medicina, fortalecendo, assim, a vocação do HC na assistência às pessoas, no ensino e na pesquisa”, comenta Frederico Jorge Ribeiro, superintendente do HC.

A realidade virtual no poker

A tecnologia pode impactar o esporte de diferentes maneiras e o poker é um dos melhores exemplos disso. Com o avanço tecnológico ainda maior dos óculos RV, a expectativa é que em até 10 anos já seja possível praticar o esporte das cartas com regularidade por meio desse aparato.

Essa nova forma de disputar partidas trará uma aproximação muito maior entre o poker online, que é disputado em sites como o 888poker, com a modalidade ao vivo que costuma ser praticada nos cassinos do mundo todo.

A evolução tecnológica poderá levar o praticante a competir nos maiores cassinos do mundo sem sair de casa. Hamza Siddiqui, co-CEO da empresa Casino VR, já tem diversos projetos em andamento para inovar no cenário da realidade virtual no poker e o empreendedor acredita que a popularização da RV vai contribuir para atrair mais pessoas a esse esporte.

O MGM Grand, um dos mais importantes cassinos de Las Vegas, já realizou testes com o poker 3D e hoje em dia oferece até mesmo uma sala virtual onde as pessoas podem praticar o esporte das cartas.

Ainda é preciso estar fisicamente presente no cassino para viver essa experiência, mas isso deve mudar em breve se depender de empresários como Siddiqui, que pretendem criar grandes salas virtuais online desse esporte ou até mesmo ir além.

Tradicional, o MGM Grand foi inaugurado em 1993| Foto: Divulgação

A expectativa mais otimista da realidade virtual no poker é que algum dia seja possível que o competidor, no conforto de sua casa, se sinta exatamente como se estivesse disputando uma partida em algum grande cassino dos Estados Unidos ou em ambientes totalmente inusitados.

Afinal, a RV não impõe limites de imaginação aos seus criadores e no futuro é possível que haja centenas de cenários incríveis disponíveis para a prática do esporte das cartas com esse aparato tecnológico.

Realidade virtual presente no varejo

Boa parte da população brasileira já está familiarizada com as compras online há algum tempo. Até por isso, é natural que algumas lojas físicas recebam um fluxo menor de visitantes por conta do e-commerce.

Com o objetivo de criar novas alternativas para agregar mais consumidores, chamar a atenção do mercado e até mesmo ganhar maior espaço no setor tecnológico, grandes marcas do varejo já estão adotando a realidade virtual em seus espaços físicos.

No Brasil, o Ponto Frio inaugurou em 2018 uma loja com realidade virtual e vitrine eletrônica. Localizada no shopping Vila Olímpia, em São Paulo, a loja é menor que o habitual e tem menos produtos que uma loja da rede convencional. Em contrapartida, essa unidade é altamente tecnológica e interativa. Por exemplo, quem for lá para comprar um armário irá encontrar o produto apenas virtualmente.

“A gente quis construir um espaço onde o melhor dos mundos físico e online andassem juntos”, diz Marcelo Nogueira, diretor de modelo de vendas da Via Varejo, dona da marca Ponto Frio.

A RV no futuro próximo

É claro que existem muitos desafios para a adoção da tecnologia de realidade virtual com relação a profissionais e empresas de algumas áreas, mas a tendência é que essa tecnologia seja cada vez mais implementada nos mais diversos setores e ocorra uma revolução na forma como as pessoas interagem com o mundo.

 

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