Guerra no Oriente Médio: Impactos na Energia e Indústria Brasileira

Por Redação
4 Min

Impactos da Escalada de Conflitos no Oriente Médio sobre a Economia Brasileira

A escalada dos conflitos no Oriente Médio já acendeu um sinal de alerta para a economia brasileira e, em especial, para a indústria nacional. O aumento dos preços do gás natural e da energia elétrica pode gerar um efeito em cadeia sobre os custos de produção, caso a guerra se prolongue mais do que o esperado. Essa análise foi feita pelo Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI).

A preocupação está diretamente ligada à dinâmica dos mercados globais de energia. Com o envolvimento de potências como Estados Unidos, Israel e Irã, além do fechamento do Canal de Ormuz – uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo – os preços internacionais já começaram a reagir. O barril do petróleo Brent atingiu a marca de US$ 100, enquanto o índice JKM, referência para o gás natural liquefeito (GNL) na Ásia, avançou cerca de 50%.

Esse movimento não ficará restrito ao cenário externo. No Brasil, uma parte significativa dos contratos de gás natural utilizados pela indústria é indexada ao preço do Brent. O combustível destinado às termelétricas segue o JKM. A CNI informou que esses contratos são reajustados a cada três meses, baseando-se na média dos últimos 90 dias. Assim, a alta recente nos preços deve ser repassada gradualmente aos custos internos, especialmente se o conflito persistir.

Na prática, isso significa uma pressão direta sobre cadeias produtivas estratégicas. O gás natural é um insumo fundamental para a produção de fertilizantes, o que pode encarecer custos no agronegócio. Além disso, é amplamente utilizado em setores industriais intensivos em energia, como química, siderurgia e petroquímica, ampliando o risco de aumento generalizado de preços.

A situação é ainda mais preocupante quando se considera o impacto sobre o setor elétrico. O Brasil conta atualmente com 178 usinas termelétricas a gás natural, que somam cerca de 19 mil MW de capacidade instalada. O encarecimento do combustível pode elevar o custo de produção de energia, refletindo-se nas tarifas pagas pelos consumidores.

A CNI alerta também para efeitos mais estruturais. A volatilidade no mercado internacional de GNL aumenta a percepção de risco em projetos ainda não contratados, especialmente aqueles que dependem do combustível para sua viabilização em leilões. Isso pode afetar decisões de investimento e a expansão da oferta de energia no país.

Com um custo de gás natural já elevado em comparação internacional, a alta adicional provocada pelo conflito pode agravar ainda mais a perda de competitividade da indústria nacional. A entidade defende a adoção de medidas para mitigar os efeitos da escalada de preços, afirmando que é crucial discutir estratégias para proteger os consumidores e a economia brasileira.

Por fim, o que se observa é que um conflito geopolítico, mesmo que distante, pode rapidamente atravessar oceanos e impactar a conta de energia, a produção industrial e, no fim da cadeia, o bolso do consumidor brasileiro. A CNI enfatiza que a situação exige atenção e ação imediata para minimizar os impactos negativos sobre a economia.

Com informações do InfoMoney

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