Insegurança Comercial e as Novas Tarifas de Donald Trump
A recente decisão de Donald Trump de impor uma tarifa global de 10% sobre as importações, válida por 150 dias, trouxe alívio e incerteza ao comércio internacional. Essa medida surge após a Suprema Corte dos EUA declarar ilegais tarifas anteriores, que em alguns casos chegaram a 50%, impactando drasticamente países como o Brasil. A nova tarifa, embora considerada uma redução, ainda levanta preocupações sobre a possibilidade de novas elevações após o período de validade.
A economista da LCA Consultores, Verônica Cardoso, aponta que essa incerteza pode gerar uma corrida de exportações para os EUA. "Os compradores americanos devem aproveitar esse período com tarifas mais baixas para adiantar suas compras", diz Cardoso, prevendo um aumento significativo nas vendas brasileiras antes que as tarifas possam ser elevadas novamente. Esse comportamento não é novo, já que em julho do ano passado, um anúncio similar resultou em um pico de embarques antes das novas taxas entrarem em vigor.
Igor Fernandez de Moraes, sócio do Silva Nunes Advogados, reforça essa expectativa, orientando seus clientes a escoar a produção represada. "A tendência é que produtores e importadores antecipem ou escoem a produção que estava contratada", afirma Moraes. Essa movimentação, no entanto, ocorre em um cenário de competitividade renovada, onde o Brasil pode se beneficiar da isenção de tarifas em produtos vitais como combustíveis, café e carne bovina, itens que ficaram de fora do adicional tarifário.
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Entretanto, o ambiente de negócios permanece volátil. Moraes destaca que a Casa Branca ainda deixa margem para dúvidas, podendo a tarifa temporária subir para 15% para determinados produtos. Nesse contexto, a recomendação jurídica é de conservadorismo. "Os clientes estão animados, mas céticos", aponta Moraes, alertando para a necessidade de revisar cláusulas contratuais para definir responsabilidades quanto a impactos tarifários e variações cambiais.
Por outro lado, a relação entre o Brasil e a União Europeia continua tensa. A expectativa de que a instabilidade gerada pelas tarifas de Trump acelerasse a assinatura do acordo Mercosul-UE foi descartada por especialistas. Verônica Cardoso enfatiza que motivações políticas internas e protecionistas na Europa permanecem inalteradas, o que torna improvável uma conexão direta entre os movimentos americanos e a formalização do tratado.
Em resumo, o comércio exterior brasileiro enfrenta um momento de aquecimento artificial nos próximos meses, impulsionado pela necessidade de aproveitar a "calmaria" trazida pela tarifa de 10% de Donald Trump. A corrida contra o tempo se torna uma estratégia essencial para que as empresas brasileiras capitalizem sobre a incerteza do cenário global antes que novas reviravoltas possam surgir.
Com informações do InfoMoney
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