Tarifas de Trump: impacto no acordo Mercosul-UE em jogo?

Por Redação
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Tarifas de Trump e o Futuro do Acordo Mercosul-UE

A recente implementação das novas tarifas de 10% sobre importações, anunciadas pelo governo de Donald Trump, reacendeu debates sobre o comércio internacional e suas implicações para o Brasil e a América Latina. Essas tarifas, que têm validade inicial de 150 dias, colocam pressão sobre negociações comerciais já em andamento, como o tratado entre o Mercosul e a União Europeia, que está atualmente travado na fase de análise jurídica pela Justiça europeia, especialmente em relação aos produtos agrícolas.

O acordo já foi assinado, mas enfrenta entraves políticos que podem ser intensificados pela nova postura protecionista dos Estados Unidos. Especialistas divergem sobre o impacto das tarifas de Trump nesse contexto. Para Alexandre Lucchesi, coordenador do Grupo de Trabalho sobre América Latina no Observatório de Política Externa Brasileira (Opeb), a instabilidade gerada pela política comercial dos EUA pode servir como um catalisador para que a Europa avance nas negociações. Ele argumenta que a agressividade das tarifas pode pressionar setores não agrícolas da Europa a buscar garantias comerciais mais estáveis.

Por outro lado, Verônica Cardoso, diretora da consultoria LCA, adota uma visão mais cética. Ela acredita que os entraves ao acordo Mercosul-UE são fundamentalmente políticos e jurídicos, desconectados da dinâmica das tarifas americanas. Cardoso ressalta que, embora a nova tarifa de 10% possa trazer uma certa normalidade ao comércio internacional, ela não deve ser um fator decisivo para desbloquear o acordo.

Enquanto isso, a balança comercial brasileira pode ser afetada de forma imediata. A expectativa é que exportadores antecipem embarques para os Estados Unidos nos próximos meses, buscando aproveitar a janela de 150 dias antes de novas alterações nas tarifas. Cardoso observa que essa corrida logística pode garantir uma estabilização temporária, mesmo que a nova tarifa signifique um aumento de custos em comparação à média anterior.

A lógica do mercado sugere que, apesar do encarecimento, a tarifa linear de 10% pode beneficiar os produtos brasileiros ao igualar as condições de competição com a China e outros países asiáticos, criando um cenário mais isonômico. Essa dinâmica, embora não ideal, pode oferecer uma oportunidade para o Brasil explorar novas possibilidades no comércio internacional.

Assim, o futuro do acordo Mercosul-UE permanece incerto, mas as interações entre as tarifas de Trump e as negociações europeias continuarão a moldar o cenário do comércio global nos próximos meses.

Com informações do InfoMoney

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