Acordo Mercosul-União Europeia: Oportunidades e Desafios para o Brasil
O tão aguardado Acordo entre a União Europeia e o Mercosul está na berlinda, com o governo brasileiro acelerando o processo ao encaminhar o texto ao Congresso, mas enfrentando um compasso de espera na Europa. A recente decisão do Parlamento Europeu de solicitar um parecer jurídico sobre a conformidade do tratado pode postergar a ratificação por meses ou até anos. Apesar disso, especialistas afirmam que esse tempo adicional deve ser visto como uma oportunidade de preparação estratégica para as empresas brasileiras.
Waldir Bertolino, vice-presidente de vendas e country manager da Infor Brasil e South Latam, destaca que o acordo representa um “teste de maturidade” para as empresas do país. Ele alerta que, com a abertura do mercado e o aumento da concorrência, as ineficiências internas podem impactar diretamente a competitividade e as margens de lucro. "Quando o mercado se abre, a ineficiência deixa de ser um problema interno e passa a afetar diretamente as empresas", pontua Bertolino.
A logística, tradicionalmente vista como um centro de custo, agora ganha status de diferencial competitivo. A pandemia trouxe à tona a importância de processos logísticos eficientes e a digitalização tem papel crucial nesse cenário. "O acordo cria um incentivo poderoso para a modernização, levando empresários a investir em tecnologia em vez de apenas em ativos físicos", afirma Bertolino.
Para as empresas que desejam competir no cenário global, a busca por três pilares se torna essencial: custo competitivo, nível elevado de serviço e previsibilidade. Essas características são fundamentais para que as empresas possam escalar suas operações e se manter relevantes no mercado internacional.
No entanto, não são apenas questões estruturais que preocupam. Bertolino também destaca que a falta de dados confiáveis e a escassez de capacitação entre as lideranças surgem como barreiras silenciosas para a internacionalização. "Sem dados integrados, qualquer tentativa de automação se torna limitada", alerta o executivo.
Embora o acordo tenha demorado 26 anos para ser negociado, muitas empresas ainda não o incorporaram em seus planejamentos estratégicos, subestimando sua proximidade. Contudo, agora, o tempo parece ser um aliado. Bertolino sugere que, com foco e execução, é possível observar ganhos relevantes em eficiência em um período de 12 a 18 meses. A jornada para um padrão global consistente, no entanto, é de médio a longo prazo e requer uma mudança cultural significativa.
Em resumo, a incerteza em torno da ratificação do acordo pode ser uma bênção disfarçada para as empresas brasileiras. O tempo extra pode ser a última chance para que elas se preparem e organizem sua estrutura interna, ampliando oportunidades para os que estão prontos e aumentando os riscos para aqueles que não se adaptarem.
Com informações do InfoMoney

