A Estabilidade Surpreendente das Moedas de Mercados Emergentes
Em um cenário econômico global marcado por incertezas, as moedas de mercados emergentes têm se mostrado surpreendentemente estáveis, desafiando as expectativas. De acordo com dados do JPMorgan, as flutuações dessas moedas têm sido significativamente menores do que as de países desenvolvidos, como os integrantes do G7. Esse padrão de estabilidade já se estende por quase 200 dias, o que, se continuar, se tornará o período mais longo desde 2000.
A calmaria observada nas moedas de mercados emergentes é atribuída a um conjunto de fatores favoráveis. A recente desvalorização do dólar, em conjunto com as expectativas de um afrouxamento gradual da política monetária do Federal Reserve, tem reduzido a pressão sobre esses mercados. Além disso, a alta nos preços das commodities e os robustos fluxos de capital têm sustentado a demanda por ativos emergentes.
Jason Pang, gestor de portfólio da JPMorgan Asset Management, ressalta que o ambiente de baixa volatilidade continua atraindo investidores para os ativos locais. "As moedas de mercados emergentes permanecem como uma opção de carry trade, o que significa que podemos esperar fluxos contínuos para esses ativos", afirma Pang. A estratégia de carry trade, que envolve o empréstimo em moedas de baixo rendimento para investir em ativos de maior rendimento, prospera em condições de calmaria e tem contribuído para a estabilização das moedas emergentes.
Os indicadores mostram que este ano já registrou o maior ritmo de investimentos em mercados emergentes desde 2019, reforçando a tendência de crescimento que começou em 2022. Um índice da Bloomberg, que acompanha oito moedas de mercados em desenvolvimento, subiu cerca de 2,8% até agora, após um impressionante avanço de 17,5% no ano passado.
Além dos fatores econômicos, melhorias estruturais nos fundamentos dos mercados emergentes, como um crescimento robusto e reservas cambiais amplas, têm ajudado a conter a volatilidade. Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury Partners Ltd, acredita que esses elementos devem contribuir para a manutenção da estabilidade das moedas emergentes ao longo do ano.
Em contraste, as moedas de países desenvolvidos enfrentam um cenário de maior turbulência. A volatilidade do dólar, por exemplo, aumentou devido a tensões políticas, como as ameaças do ex-presidente Donald Trump relacionadas a tarifas comerciais. O iene japonês também está sob pressão, refletindo preocupações com a trajetória fiscal do Japão e a possibilidade de intervenções governamentais.
Investidores têm buscado alternativas menos voláteis entre as moedas emergentes, como o dólar de Cingapura e o baht tailandês, conforme observou Daniel Tan, gestor da Grasshopper Asset Management. Ele acredita que a tendência de baixa volatilidade continuará até que eventos de risco extremo sejam observados.
Em um mundo onde a incerteza econômica é a norma, a resiliência das moedas de mercados emergentes pode oferecer um porto seguro para investidores em busca de estabilidade e oportunidades de crescimento. As próximas semanas e meses serão cruciais para observar se essa calmaria se manterá ou se novos desafios surgirão no horizonte.
Com informações do InfoMoney
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