Brasil Aumenta Exportações de Petróleo para China e Índia em Meio a Mudanças no Mercado Global
RIO DE JANEIRO, 6 Fev (Reuters) – Em um cenário marcado por transformações no mercado de petróleo, o Brasil tem ampliado suas exportações para a China e a Índia. A consultoria StoneX revelou que essa mudança se deve à diminuição da demanda norte-americana pelo petróleo brasileiro, enquanto os Estados Unidos intensificaram seu controle sobre o setor na Venezuela, absorvendo a oferta daquele país.
As exportações brasileiras para a China alcançaram uma média de 1,46 milhão de barris por dia (bpd) em janeiro, representando 56% do total exportado, o maior volume desde maio de 2020. Essa movimentação é um reflexo direto da procura chinesa por novos fornecedores, especialmente após a redução do petróleo venezuelano no mercado.
Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destacou que a China agora representa uma parte ainda mais significativa das exportações brasileiras. Ele explica que a busca por alternativas ao petróleo venezuelano, que é pesado, levou os consumidores chineses a optarem pelo petróleo médio brasileiro, que não compete diretamente com o venezuelano.
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O crescimento das exportações brasileiras é notável, com um aumento de 13,3% em janeiro em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 2,6 milhões de bpd. Esse volume é o maior registrado em quase três anos, refletindo o avanço da produção nacional, que atingiu um recorde de 3,770 milhões de bpd em 2025, segundo a consultoria Rystad Energy.
Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentaram uma queda de 26% nas aquisições de petróleo brasileiro, com um volume médio de 193,38 mil bpd. A chegada crescente de barris venezuelanos aos portos norte-americanos tem influenciado essa diminuição nas compras do Brasil.
Outra mudança significativa no mercado é a ascensão da Índia como segundo maior importador de petróleo brasileiro, representando 8% das exportações, com a Petrobras estabelecendo novos contratos com refinarias indianas. Cordeiro sugere que a redução das importações de petróleo russo pela Índia pode estimular um aumento nas compras do Brasil, especialmente com uma maior parte do petróleo russo sendo redirecionada para a China.
O cenário atual apresenta incertezas sobre os destinos futuros do petróleo brasileiro. No entanto, o apetite contínuo da China por energia, impulsionado pela necessidade de ampliar seus estoques e por um setor de refino em expansão, deve garantir a predominância do país asiático nas exportações brasileiras a curto prazo.
Com essa reconfiguração do mercado, o Brasil se posiciona como um player estratégico na dinâmica global de petróleo, adaptando-se rapidamente às novas demandas e oportunidades que surgem em meio às mudanças políticas e econômicas.
Com informações do InfoMoney
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