Lula avança na escolha de Mello e Cavalcanti para o BC, desafiando mercado

Por Redação
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Lula Avança em Nomeações para o Banco Central: Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti em Foco

BRASÍLIA, 3 de fevereiro – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a confirmar as indicações de dois economistas para direções do Banco Central (BC). As nomeações de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti, apresentadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, devem ser um marco importante na gestão econômica do país. Fontes próximas às negociações confirmaram à Reuters que o anúncio oficial está em andamento, embora ainda não haja uma data definida para a divulgação.

Guilherme Mello, atualmente secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é cotado para assumir a Diretoria de Política Econômica do BC. Por sua vez, Tiago Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge, deve ficar responsável pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. A escolha de Cavalcanti tem gerado interesse, especialmente por sua experiência acadêmica e seu histórico de envolvimento em questões políticas, embora não esteja diretamente ligado ao PT.

O processo de nomeação, no entanto, não vem sem controvérsias. O vazamento do nome de Mello na imprensa provocou críticas no mercado financeiro, levando a uma alta nas taxas de juros a longo prazo. A preocupação se dá principalmente pela sua associação com o PT, partido ao qual é filiado, e sua inclinação à esquerda, que suscita dúvidas sobre a estabilidade econômica.

Em entrevista à TV BandNews, Haddad revelou que apresentara os nomes a Lula há três meses, mas que, desde então, o assunto não voltara a ser discutido. O ministro, que deve deixar o cargo no final de fevereiro, disse que as nomeações precisam ser aprovadas pelo Senado, um passo crítico que pode determinar a aceitação do mercado.

As preocupações com a nomeação de Mello não se restringem ao mercado financeiro. Fontes dentro do próprio Banco Central indicam que sua candidatura não foi discutida previamente com a autoridade monetária, o que poderia criar tensões internas. A Diretoria de Política Econômica é crucial, pois é responsável por desenvolver e calibrar modelos macroeconômicos que influenciam decisões sobre a taxa de juros, um tema sensível em tempo de inflação e instabilidade econômica.

Apesar das críticas, uma fonte bem posicionada defendeu Mello, descrevendo-o como “correto, competente e sério”, enfatizando que ele sempre foi uma voz ponderada dentro do ministério. Essa perspectiva sugere que, embora os movimentos do mercado possam ser avassaladores, a abordagem de Lula e Haddad se mantém firme, desconsiderando pressões externas.

Embora a expectativa sobre essas nomeações cresça, o futuro econômico do Brasil depende não apenas das escolhas de Lula, mas também da capacidade dessas novas lideranças de navegar em meio a um cenário desafiador. O desenrolar das próximas semanas será crucial para entender a direção que o governo tomará e como o mercado reagirá a essas mudanças.

Com informações do InfoMoney

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