Brasil Se Prepara para Revolução nos Data Centers com o ReData
Em um cenário onde a digitalização da economia é cada vez mais urgente, o Brasil se prepara para um marco significativo no setor de tecnologia. A Medida Provisória que implanta o Regime Nacional de Data Centers (ReData) promete cortar impostos para a importação de equipamentos, um passo que pode destravar investimentos bilionários. A expectativa é que a proposta seja apresentada em setembro, conforme anunciado durante o evento TS Data Centers, AI & Cloud Summit, realizado em Santana do Parnaíba, Grande São Paulo.
O presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), Renan Lima Alves, revelou que a MP é uma prioridade do governo, reforçando a importância do encontro realizado em maio entre autoridades brasileiras e empresários do Vale do Silício. O ReData prevê a isenção de impostos federais, como PIS, Cofins, IPI e tarifas de importação, reduzindo a carga tributária do setor de 52% para apenas 18%. Essa mudança é crucial, uma vez que os equipamentos representam uma parte significativa dos custos de implantação de data centers.
Marcos Siqueira, diretor de tecnologia da Ascenty, exemplificou que a construção de um data center de 100 megawatts pode exigir um investimento inicial de US$ 1 bilhão, com custos adicionais de equipamentos variando entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões. Ele acredita que o ReData estimulará investimentos na infraestrutura necessária, abrangendo redes de energia elétrica e conectividade à internet.
O presidente da Tecto, José Miguel Vilela, também destacou que o Brasil está em uma posição privilegiada para se tornar um grande polo de data centers, considerando suas fontes de energia limpa e renovável. No entanto, ele alertou que a alta tarifa de importação atual ainda representa uma barreira significativa.
Affonso Nina, presidente da Brasscom, enfatizou que, embora o corte de impostos possa parecer uma perda de receita, ele pode resultar em um aumento na arrecadação através de outras vias, como a construção e o consumo de energia, já que os data centers têm uma expectativa de operação que se estende por décadas.
Com o ReData, o Brasil poderá até mesmo equilibrar sua balança comercial no setor, atualmente deficitária em US$ 7 bilhões. Rodrigo Abreu, presidente da Omnia, lembrou que mais da metade da carga digital do país é processada no exterior, principalmente nos Estados Unidos. A questão fiscal é um dos principais obstáculos que precisam ser superados.
Por fim, o presidente da Equinix, Victor Arnaud, ressaltou a importância do timing e da preparação do mercado para a mão de obra qualificada, um desafio que o Brasil deve enfrentar para se tornar um hub global de data centers. Segundo a consultoria JLL, os investimentos previstos na construção de data centers no Brasil devem movimentar cerca de US$ 400 milhões em 2025 e US$ 1,5 bilhão em 2026, com um crescimento estimado de 40% na capacidade instalada nos próximos anos.
Com o ReData, o Brasil não apenas se posiciona para um futuro mais digital, mas também para um papel de destaque na economia global de tecnologia. A expectativa é que essa medida transforme o cenário nacional, criando oportunidades e impulsionando a inovação no setor.
Com informações do InfoMoney
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