Lua de Júpiter: corpo mais vulcânico no Sistema Solar

Por Redação
3 Min

Uma descoberta feita por uma equipe de cientistas revelou que uma lua de Júpiter está em violenta turbulência há quase 4,6 bilhões de anos, sendo classificada como o corpo mais vulcânico do nosso Sistema Solar. Os pesquisadores examinaram a lua jupteriana “Io” em busca de rastros de enxofre e cloro em sua atmosfera utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

O que foi descoberto sobre Io

Observou-se que uma espécie de cabo de guerra gravitacional entre Júpiter e as luas vizinhas, Europa e Ganimedes, gera forças de maré imensas dentro de Io, resultando no intenso vulcanismo presente na lua. Algo que não estava claro até então era por quanto tempo essa influência de Júpiter e suas luas vinha causando danos em Io.

O constante fluxo de lava na superfície da lua mantém sua aparência “jovem”, resultando na dificuldade em aprender sobre a história vulcânica de Io para além dos últimos milhões de anos. Katherine de Kleer, líder da equipe e professora assistente de Ciência Planetária e Astronomia na Caltech, destacou o mistério envolvendo Io.

A sonda Juno da NASA capturou imagens impressionantes da lua vulcânica de Júpiter, Io. (Crédito da imagem: (esquerda) NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS Processamento de imagem por Emma Wälimäki; (detalhe) NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/AndreaLuck)

Desde quando isso acontece?

Para obter pistas sobre a longevidade desse processo, os pesquisadores utilizaram o ALMA, um conjunto de 66 antenas de rádio no deserto do Atacama, no norte do Chile, para procurar evidências na atmosfera de Io. Eles buscaram por rádios isotópicos estáveis de moléculas contendo enxofre e cloro, encontrando uma presença maior desses elementos em variantes de isótopos pesados em Io.

O contínuo reciclar de material entre o interior da lua e sua atmosfera devido ao vulcanismo resultou na perda de até 96% dos isótopos de enxofre mais leves em Io. Essa perda só seria possível depois de bilhões de anos de atividade vulcânica desde o nascimento da lua de Júpiter.

De Kleer ressaltou a atividade vulcânica de Io ao longo dos bilhões de anos e a importância de entender se a lua já teve características diferentes, como um oceano de água e uma crosta de gelo, que poderiam ter sido perdidos devido ao vulcanismo.

Juno observou a lua de Júpiter, Io, em luz visível e infravermelha em 1 de maio de 2023, produzindo uma imagem composta mostrando pontos quentes em toda a superfície. (Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/ASI/INAF/JIRAM)

Com base nessas descobertas, as pesquisas foram publicadas na revista Science. O estudo revela a complexidade da influência gravitacional de Júpiter e suas luas sobre a lua Io e reforça a importância de compreender as condições passadas do Sistema Solar.

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