Resíduo de Lúpulo da Cerveja Se Torna Ingrediente Inovador em Protetores Solares

Por Redação
3 Min

Resíduos de Lúpulo: Uma Nova Fonte de Cosméticos Fotoprotetores

Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) encontrou que resíduos industriais do lúpulo (Humulus lupulus L.), utilizado na indústria cervejeira, são promissores para a fabricação de cosméticos fotoprotetores.

O Desperdício da Indústria Cervejeira

Durante a produção de cerveja, uma grande quantidade de resíduo é gerada e descartada. A pesquisa, que envolveu a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, analisou esse desperdício com foco na recuperação de compostos bioativos. O lúpulo é adicionado à cerveja em dois momentos: durante a fervura do mosto e, em algumas receitas, após a fermentação, conhecida como dry hopping. Na fase final, que confere aroma à bebida, diversos compostos permanecem nos pellets, formando uma fonte rica em componentes bioativos.

Composição e Benefícios do Lúpulo

Os resíduos de lúpulo contêm ácidos amargos, polifenóis e óleos essenciais. Em especial, os polifenóis se destacam por suas potentes propriedades antioxidantes, essenciais para a proteção da pele contra os danos causados pelos raios ultravioleta (UV).

Metodologia do Estudo

A pesquisa, financiada pela FAPESP, teve suas etapas conduzidas pelo Laboratório de Farmacognosia da USP. O resíduo de lúpulo foi extraído com etanol, e um extrato “puro” foi preparado para comparação. No Laboratório de Cosmetologia, os extratos foram incorporados a formulações fotoprotetoras com dois filtros solares, sendo um focado na proteção UVB e o outro na UVA. A eficácia dos protetores foi avaliada utilizando espectrofotometria de refletância difusa com esfera de integração, uma técnica reconhecida internacionalmente.

Resultados Promissores

Os resultados mostraram que o extrato de lúpulo originário do resíduo apresentou atividade mais intensa em comparação ao lúpulo não processado. Essa eficácia é atribuída à eliminação de substâncias voláteis durante a fabricação da cerveja, que deixou compostos com ligações químicas eficazes para a fotoproteção.

Considerações Finais

Embora as descobertas sejam promissoras, André Rolim Baby, professor associado da FCF-USP, ressalta que são necessários estudos adicionais para validar a estabilidade a longo prazo do produto, a padronização dos compostos bioativos e avaliações clínicas de segurança e eficácia antes que esses cosméticos possam chegar ao mercado.

Para mais detalhes, acesse o artigo completo: Valorization of hop (Humulus lupulus L.) brewing residue as a natural photoprotective adjuvant.

Informações da Agência FAPESP

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