Enzima Fúngica Como Alternativa Ecológica aos Produtos Químicos na Indústria de Papel

Por Redação
4 Min

Desenvolvimento de Enzima Sustentável para Branqueamento de Polpa de Celulose

Um grupo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou uma enzima inovadora a partir de fungos cultivados em resíduos agrícolas, visando o branqueamento da polpa de celulose, essencial na produção de papel.

Esse estudo, financiado pela FAPESP, foi publicado na revista Bio Resources. O método convencional de branqueamento utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro, que são altamente tóxicos e causam sérios danos ambientais e à saúde humana.

Vantagens da Nova Tecnologia

A nova tecnologia apresenta várias vantagens, incluindo a utilização de resíduos agrícolas e uma proteína com estabilidade térmica superior a de muitas enzimas fúngicas já documentadas. Isso expande as aplicações possíveis na indústria de papel e celulose.

Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, destaca que esta é uma alternativa sustentável que diminui o uso de produtos químicos nocivos. Dado que o Brasil é um líder na produção de celulose de eucalipto, essas inovações são cruciais para a sustentabilidade do setor.

Integração com Projetos Científicos

O trabalho faz parte das atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está associado a projetos financiados pela FAPESP. O estudo foi coordenado por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP.

A enzima desenvolvida, a xilanase, é crucial para a degradação da xilana — uma hemicelulose encontrada na parede celular de plantas, como o eucalipto. Esse processo melhora a alvura do papel e aumenta a eficiência das etapas subsequentes de branqueamento.

Cultivo do Fungos em Resíduos Agrícolas

Os pesquisadores cultivaram o Aspergillus caespitosus em bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, utilizando fermentação em estado sólido. Estes substratos são notáveis por seu baixo custo e pela elevada produção de xilanase, alinhando-se ao conceito de bioeconomia circular.

“Utilizando um pré-tratamento com hidróxido de sódio, conseguimos aumentar a eficiência do bagaço de cana, enquanto o farelo de trigo, com boa disponibilidade de carbono, não necessitou de pré-tratamento”, explica Polizeli.

A escolha do substrato deve considerar a disponibilidade local, impactando diretamente nos custos.

Processo de Branqueamento

Embora o branqueamento total com enzimas fúngicas seja inviável devido às altas temperaturas envolvidas, o grupo demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C. Isso permite sua aplicação nas últimas etapas do processo de branqueamento, complementando o branqueamento químico e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro.

Atualmente, os pesquisadores buscam maneiras de imobilizar a enzima em suportes químicos, visando reutilização e resistência a temperaturas mais elevadas. A combinação de nanopartículas magnéticas e nanocelulose é uma das promessas para aplicações futuras em diversas indústrias, incluindo a produção de bioetanol.

Conclusão

O estudo reforça a potencialidade da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com implicações industriais, abrindo novas fronteiras para a produção de papel mais ecológica. Para mais detalhes, clique aqui.

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Informações da Agência FAPESP

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